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Prioridade na saúde: enfermeira de Vacaria defende regulação e foco no SUS antes de avanços no transplante de útero

 Prioridade na saúde: enfermeira de Vacaria defende regulação e foco no SUS antes de avanços no transplante de útero

Foto: Divulgação Rádio Esmeralda.

Em entrevista à Rádio Esmeralda na manhã desta quinta-feira, a enfermeira vacariana Sibele Schwantes trouxe à tona um debate profundo sobre a bioética e as prioridades do sistema público de saúde ao defender sua tese de doutorado focada no transplante de útero. O procedimento, embora represente um ápice tecnológico para a medicina reprodutiva, carrega consigo dilemas sobre financiamento e regulação social no contexto brasileiro.

Do pioneirismo sueco ao sucesso no Brasil

O transplante de útero iniciou sua trajetória de sucesso na Suécia em 2012, sob a liderança da Universidade de Gotemburgo, resultando no primeiro nascimento mundial de um bebê a partir de um órgão transplantado de doadora viva em 2014. No Brasil, a medicina marcou época em 2016 (com resultados consolidados em 2017/2018), quando o Hospital das Clínicas de São Paulo realizou o primeiro transplante de útero de doadora falecida com sucesso mundial, permitindo que uma mulher com Síndrome de Rokitansky gerasse um filho.

Apesar do avanço técnico, Sibele Schwantes defende em sua fala uma visão pragmática e ética. A enfermeira afirma que, antes de o país mergulhar na oferta generalizada de transplantes de útero, é imperativo avançar nas questões básicas de saúde no Brasil. Ela destaca a necessidade de garantir o pronto atendimento de todos os serviços essenciais com financiamento pleno pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Somente após a consolidação de uma rede básica eficiente e acessível a todos, a discussão sobre procedimentos de alta complexidade e custo voltados à infertilidade deveria ganhar o centro da pauta. A tese também assevera que o tema carece de uma regulação jurídica e social robusta.

As estatísticas globais mostram que a taxa de sucesso do procedimento — medida pelo nascimento de bebês saudáveis — gira em torno de 25%. O custo é elevado, estimado em cerca de R$ 250 mil por procedimento, o que levanta questões sobre quem deve arcar com o investimento em um país com recursos limitados.

Diferente de outros órgãos, o transplante de útero é “efêmero”; o órgão é removido após uma ou duas gestações bem-sucedidas para evitar que a paciente use imunossupressores pelo resto da vida.

Ouça a entrevista clicando abaixo

 

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