Pesquisa histórica desmistifica pioneirismo de Vacaria e aponta Londrina como a primeira rodoviária do Brasil
Foto: Radio Esmeralda-Divulgação.
Uma pesquisa histórica sobre a evolução dos terminais de passageiros no Brasil trouxe uma nova perspectiva sobre o pioneirismo no setor rodoviário nacional. Em entrevista concedida nesta terça-feira ao programa Comando Geral, da Rádio Esmeralda, o mestre em turismo e pesquisador Elcio Dallasanta revelou descobertas que reescrevem o entendimento tradicional sobre a origem das estações rodoviárias.
O interesse de Dallasanta pelo tema começou no ano de 2000, motivado por um pedido do então prefeito Enore Mezzari para levantar dados sobre o passado da estação rodoviária de Vacaria. O pesquisador relembrou que, naquela época, as investigações eram complexas e limitadas devido à escassez de recursos tecnológicos. As principais fontes eram livros físicos e a memória oral, o que incluiu uma entrevista realizada por ele com Firmo Carneiro, reconhecido como o primeiro carregador de malas de Vacaria.
Após um hiato, ele retomou as investigações há cerca de cinco anos. Utilizando novas ferramentas de busca e cruzamento de dados, ele conseguiu desmistificar a antiga crença popular de que Vacaria abrigou a primeira rodoviária do Brasil em 1939.
“Fomos pioneiros dentro do estado do Rio Grande do Sul. Porém, no cenário nacional, existem registros oficiais datados de janeiro de 1933 que comprovam que a primeira estação rodoviária do país foi construída na cidade de Londrina, no Paraná”, esclareceu o pesquisador.
Dallasanta também pontuou de forma positiva que, diferentemente do que ocorria no passado, a sociedade contemporânea demonstra uma preocupação muito maior com a preservação da memória e do patrimônio histórico.
O pioneirismo da “Pequena Londres” no Paraná
A descoberta de Dallasanta encontra respaldo nos registros históricos do Norte do Paraná. A primeira estação rodoviária de Londrina foi inaugurada em janeiro de 1933 pela Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná (SPP). Feita inteiramente de madeira, a estrutura funcionava na esquina das ruas Maranhão e Minas Gerais. Ela foi criada estrategicamente para organizar o fluxo de passageiros e o transporte de mercadorias por meio de “jardineiras” e caminhões antes mesmo da chegada dos trilhos do trem à região, que ocorreu apenas em 1935.
A própria fundação da cidade de Londrina justifica seu rápido desenvolvimento e o nome de influência europeia. O nome “Londrina” foi sugerido em 1929 pelo médico João Domingues Sampaio, um dos diretores da Companhia de Terras Norte do Paraná. Tratou-se de uma homenagem direta a Londres (“filhas de Londres”), capital da Inglaterra, de onde provinha o grupo de investidores britânicos liderados por Lord Lovat, responsáveis por financiar a compra de terras e a colonização planejada da região produtora de café. Por conta dessa forte ligação britânica, o município ficou conhecido nacionalmente pelo apelido de “Pequena Londres”
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