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Patrulha Maria da Penha intensifica ações por meio da “Operação Mulheres”

 Patrulha Maria da Penha intensifica ações por meio da “Operação Mulheres”

Foto: Rádio Esmeralda.

A Patrulha Maria da Penha (PMP) em Vacaria, operada pelo 10º Batalhão da Polícia Militar é uma ferramenta fundamental no combate à violência doméstica no município, atuando de forma integrada com a rede de proteção à mulher desde sua implantação em 2014.

A principal missão da Patrulha é fiscalizar o cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência (MPU) deferidas pelo Poder Judiciário. A atuação segue etapas rigorosas. Policiais militares capacitados realizam visitas periódicas às residências das mulheres sob medida protetiva para verificar se o agressor está mantendo o distanciamento determinado pela justiça.

Na primeira visita, a vítima recebe informações sobre o funcionamento do programa, orientações sobre seus direitos e encaminhamentos para outros serviços da rede, como a Polícia Civil e a assistência social.

Em fevereiro de 2026, a Brigada Militar intensificou as ações da Patrulha em Vacaria por meio da Operação Mulheres, reforçando a vigilância institucional em um cenário onde o estado do Rio Grande do Sul registrou 11 feminicídios apenas no primeiro mês do ano.  A iniciativa reforça a fiscalização das medidas protetivas de urgência, ampliando o acompanhamento das mulheres amparadas por decisão judicial e garantindo o cumprimento das determinações impostas aos agressores.

Além da verificação das medidas, as visitas realizadas promovem acolhimento e orientação às vítimas sobre seus direitos e os serviços da rede de enfrentamento à violência.

Nos casos de descumprimento, são adotadas as providências legais cabíveis, inclusive com prisão em flagrante, assegurando resposta rápida e eficaz diante de qualquer ameaça à integridade das mulheres assistidas.

O programa Comando Geral desta segunda-feira, 23, recebeu o Capitão Simon, comandante da 1ª CIA do 10º BPM e o Soldado Mateus Andreatta, que integram a Patrulha Maria da Penha. Durante a entrevista, eles fizeram um relato da atuação, destacando a importância da colaboração da comunidade no sentido de, ao verificar situações de violência contra as mulheres, atuarem como fiscalizadores e fazer as denuncias para o fone 190 da Brigada Militar.

O Soldado Andreatta disse que a questão da violência contra a mulher possui um ciclo, composto de três fases, e ajudam na percepção da dinâmica das relações violentas e da dificuldade da mulher sair da situação de risco:

1ª fase: Ato de tensão – em um primeiro momento, o ofensor se utiliza de insultos, ameaças, xingamentos, raiva e ódio. Tais comportamentos fazem com que a mulher em situação de violência se sinta culpada, com medo, humilhada e ansiosa. A tendência é que o comportamento passe para a fase 2.

2ª fase: Ato de violência – nessa fase, as agressões tomam uma maior proporção, levando a mulher em situação de violência a se esconder na casa de familiares, buscar ajuda, denunciar, pedir a separação ou, até mesmo entrar em um estado de paralisia impedindo qualquer tipo de reação.

3ª fase: Ato de arrependimento e tratamento carinhoso, conhecido também como “Lua de mel’’ – o ofensor se acalma, pede perdão, tenta apaziguar a situação afirmando que nunca mais vai repetir tais atos de violência. Isso faz com que a mulher em situação de violência lhe dê “mais uma chance’’, inclusive por fatores externos como o bem-estar dos filhos e da família. Por fim, quando essa fase se encerra, a 1ª fase volta a ocorrer, caracterizando o ciclo de violência.

A repetição cíclica das etapas tende a ocasionar que a agressão seja cada vez mais grave e habitual. Quanto mais vezes esse ciclo se completa, menos tempo vai precisar para se completar na próxima vez. A intensidade e gravidade dos eventos aumentam com o tempo, de maneira que as fases vão gradualmente se encurtando, o que eventualmente leva a 1ª e a 3ª fase a desaparecerem com o tempo. Então, cria-se o hábito do uso da violência naquele relacionamento.

A ação da mulher em situação de violência de questionar, argumentar ou queixar-se dá início a mais um ciclo de violência, ou incrementa o que já estava em curso.

Se a mulher em situação de violência busca cessar a violência rompendo o relacionamento, o risco de sofrer agressões aumenta ainda mais, podendo resultar em situações extremas, como o feminicídio.

Deve-se lembrar que essa mulher está sofrendo violência de uma pessoa muito próxima e com quem tem laços afetivos.

Ouça a entrevista clicando abaixo

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