A Rosa que Nasceu no Barro
Por Professor Dal Zotto
Há histórias que não começam em templos, nem em livros sagrados.
Começam no barro da vida comum.
Conta-se — e isso está registrado em relatos reais de quem conviveu com ele — que Chico Xavier, já cansado, doente e pressionado por dores físicas intensas, nunca interrompeu o serviço. Mesmo quando o corpo falhava, ele seguia escrevendo cartas, acolhendo desconhecidos, consolando mães, orientando jovens, sorrindo para quem chegava em prantos.
Alguém, certa vez, aproximou-se dele e perguntou:
— Chico, o senhor nunca pensa em parar? O senhor também sofre…
Ele abaixou os olhos, sorriu com doçura e respondeu algo simples, mas definitivo:
— Quando a gente serve, a dor encontra caminho para sair.
Essa não era poesia. Era vivência.
O Espiritismo ensina — e a ciência moral confirma — que o sofrimento alimentado pela fixação em si mesmo cresce, adoece e endurece. Mas quando o olhar se desloca do “meu problema” para a necessidade do outro, algo silencioso acontece: a dor perde o centro do palco.
Não desaparece por mágica.
Ela se transforma.
Emmanuel, espírito que orientou Chico por décadas, repetia que o bem distribuído é remédio que volta, que serviço é disciplina da alma, e que a fé verdadeira não pede alívio imediato — constrói força interior.
E é aí que a rosa nasce no barro.
O barro é a vida dura, imperfeita, injusta.
A rosa é o gesto simples: ouvir, ajudar, perdoar, insistir no bem quando tudo convida à desistência.
Muitos que passaram pela pequena casa de Chico relatam o mesmo detalhe: saíam mais leves, não porque seus problemas tinham sido resolvidos, mas porque tinham sido recolocados no lugar certo.
Quando faltam forças — Deus sustenta.
Mas quase sempre, Ele sustenta através do serviço.
A cura não vem do isolamento.
A paz não nasce da fuga.
O alívio não mora na queixa.
Ele brota quando alguém, mesmo ferido, decide amar um pouco mais.
E assim, no silêncio de um gesto bom,
a vida — que é só um sopro —
ganha eternidade.

