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A pressa que nos rouba a alma

Professor Dal Zotto

Vivemos apressados.
Não porque o tempo seja curto,
mas porque aprendemos a vivê-lo sem presença.

A pressa se tornou virtude.
Quem corre é admirado.
Quem para é visto como improdutivo.
E, nesse ritmo, vamos trocando o essencial
pelo urgente.

Corremos para chegar,
sem saber exatamente aonde.
Respondemos antes de escutar.
Falamos mais do que compreendemos.
Vivemos como se a vida fosse um compromisso marcado
que precisa ser cumprido rapidamente.

Mas a pressa cobra caro.

Ela nos faz atravessar dias sem percebê-los.
Passar por pessoas sem encontrá-las.
Responder à vida sem escutá-la.

Quantas conversas foram abreviadas?
Quantos abraços adiados?
Quantos silêncios necessários foram ignorados
em nome de uma agenda cheia
e de uma alma vazia?

A pressa rouba a alma
porque nos impede de sentir.
E sem sentir, não há consciência.
Há apenas repetição.

Na espiritualidade, não existe pressa.
O crescimento interior acontece no tempo certo,
não no tempo imposto.
A alma amadurece devagar,
como tudo o que é verdadeiro.

Jesus nunca correu.
Mas nunca se atrasou.

Ele parava para ouvir.
Olhava nos olhos.
Percebia o invisível.
Enquanto o mundo exigia velocidade,
Ele oferecia presença.

A pressa nos convence
de que não há tempo para pensar,
para rever caminhos,
para cuidar de quem somos.

Mas a verdade é outra:
é justamente quando paramos
que começamos a viver de verdade.

O tempo continua passando.
Sempre passará.

Mas não é a quantidade de dias
que define uma vida plena.
É a qualidade da presença
em cada um deles.

Quem vive apressado
envelhece sem amadurecer.
Quem aprende a desacelerar
descobre que o sentido da vida
não está na chegada,
mas no caminho vivido com consciência.

A pressa nos rouba a alma.
A presença a devolve.

E quando entendemos isso,
o tempo deixa de ser inimigo
e passa a ser mestre.

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