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Polícia Civil do RS adota ferramenta de inteligência artificial em registros de violência contra mulher

 Polícia Civil do RS adota ferramenta de inteligência artificial em registros de violência contra mulher

Recurso permite identificar sinais de perigo e avaliar a gravidade das situações. (Foto: Calvin Neruam Ascom/SSP).

Nesta segunda-feira (11), a Polícia Civil gaúcha começa a adotar em todas as suas delegacias um serviço de digitalização e análise por inteligência artificial (IA), com base no Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), sobre casos de violência contra mulher. O recurso permite identificar sinais de perigo no ambiente doméstico e avaliar a gravidade das situações, auxiliando a corporação a atuar com maior rapidez na prevenção.

A ferramenta foi lançada pelo Departamento de Tecnologia da Informação Policial (DTIP) no final de abril e agentes de todo o Estado passaram por treinamento neste mês. Atualmente, o Fonar é preenchido quando a vítima registra ocorrência em uma delegacia física ou online (DOL) e está disponível no módulo “Ocorrência” do Sistema de Polícia Judiciária (SPJ) e na DOL.

No atendimento presencial, o formulário pode ser completado pelo policial diretamente no SPJ (forma já difundida) ou preenchido de forma híbrida (documento impresso e sistema). A ficha impressa será respondida a caneta pela vítima e escaneada – caso necessário, será complementada com respostas dos agentes diretamente no SPJ, com apoio de inteligência artificial. A ferramenta atuará como recurso interpretativo de respostas no processo de digitalização.

Como resultado, todas as respostas geradas no contexto de violência doméstica e familiar no Rio Grande do Sul serão armazenadas de forma mais adequada e estruturada. O objetivo é compor ferramentas estatísticas, relatórios, mapas e outros documentos que subsidiem decisões e políticas públicas estaduais e nacionais, de modo a ampliar ações da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e ampliar a proteção às vítimas.

A ferramenta integra as ações de resposta do governo do Estado, por meio da Polícia Civil, aos casos de violência contra as mulheres. A digitalização do formulário auxiliará os policiais na coleta e na análise de dados gerados durante o registro de ocorrências. “Compreender melhor os crimes relacionados à Lei Maria da Penha permite identificar fatores de risco, bem como apontar sua gravidade”, ressalta a SSP.

Conforme a diretora da Divisão de Sistemas do DTIP e da DOL, delegada Viviane Pinto, o Fonar é um avanço estratégico na proteção de mulheres no Brasil. A Polícia Civil tem aprimorado suas atividades com tecnologia e agora concretiza a aplicação de inteligência artificial ao seu principal sistema, auxiliando a prestação de serviços da corporação e fortalecendo o uso de instrumentos qualificadores das políticas públicas relacionadas ao tema.

“A ferramenta vem trazer mais proteção, prevenção e cuidado com as mulheres”, ressalta a delegada. “A vítima responde o formulário no seu tempo e, com o novo sistema, a análise, a interpretação e a estruturação dos dados podem facilitar o atendimento, além de agilizar o encaminhamento ao judiciário. A digitalização e a análise fortalecem ainda o compartilhamento de informações e a atuação integrada das forças de segurança.”

Formuário

O documento é parte da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e das políticas públicas implementadas pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Foi instituído em 2020 por resolução que definiu a finalidade e as formas de aplicação e destinação. É composto por questões objetivas e subjetivas.

Sua aplicação deve se dar preferencialmente pela Polícia Civil no registro da ocorrência ou, em sua impossibilidade, pelo Ministério Público ou Poder Judiciário, no primeiro atendimento a mulher em situação de violência doméstica e familiar. Após a coleta, os dados passam a integrar inquéritos e procedimentos relacionados aos crimes.

O procedimento deve ajudar na formulação de pedidos de Medida Protetiva de Urgência (MPU), bem como medidas cautelares e outros encaminhamentos da rede de proteção para gestão integrada dos riscos. Mais detalhes estão no portal estado.rs.gov.br

Fonte: Jornal O Sul

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