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Sem-terra desistem de ocupar terras de colonos brasileiros no Paraguai

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Centenas de sem-terras paraguaios, chamados de “carperos”, desistiram de ocupar terras de colonos brasileiros situadas na fronteira e se retiraram do local, anunciou nesta quarta-feira o ministro do Interior do Paraguai, Carlos Filizzola. Eles abandonaram de forma pacífica as áreas próximas às propriedades particulares dos brasileiros e se instalaram em territórios públicos, em Ñacunday, na província do Alto Paraná. “Não houve incidente algum”, assegurou o secretário de Estado.

A saída ocorreu dias depois do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmar que seu governo usaria todos os meios legais para garantir a segurança dos colonos brasileiros e fazendeiros proprietários das terras. “O governo rechaça qualquer ideia de violência ou justiça pelas próprias mãos proveniente de quem quer se seja e já instruiu a força pública a utilizar todos os meios disponíveis para assegurar a ordem pública e a segurança das pessoas”, afirmou em um comunicado.

Os “carperos” ameaçaram invadir terras que, segundo eles, possuem títulos falsos e fazem parte de bens obtidos durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). Várias áreas ocupadas por colonos brasileiros “são terras fiscais que pertencem ao povo e devem ser confiscadas e distribuídas aos sem-terras”, segundo o líder do Movimento Campesino Paraguaio (MCP), Belarmino Balbuena. Porta-vozes de produtores colonos solicitaram garantias de segurança para trabalhar e produzir, garantindo possuir títulos legais das terras ameaçadas.

O conflito entre os sem-terra e produtores da área que faz fronteira com o Brasil começou depois de o governo descobrir irregularidades em títulos de grandes extensões de terras, segundo a Federação Nacional Campesina (FNC).

 

Crédito: AFP

 

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