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Samaritanos digitais usam a web para devolver objetos

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Rhonda Surman e seu marido estavam caminhando em uma região do oeste da Escócia que abriga ruínas da Idade do Bronze, no ano passado, quando perceberam algo brilhante em meio às pedras. Era uma câmera digital Olympus perdida por alguém.

O casal entregou a câmera à polícia local, mas passadas oito semanas o objeto foi devolvido a eles porque ninguém havia procurado por ele.

Surman, que vive no norte da Escócia, não desistiu. Havia mais de 600 fotos na memória da câmera, entre as quais algumas de um casamento e de viagens de um casal pela Europa. Surman postou diversas delas na internet e, nos meses seguintes, organizou um grupo de detetives amadores que identificou pistas nas fotos, o que os conduziu aos proprietários da câmera, que ficaram atônitos e felizes.

“Não creio que eu seja uma pessoa melhor do que as outras”, disse Surman. “Mas minha impressão era de que se tratava de fotos de uma lua-de-mel, e isso fez com que eu me esforçasse um pouquinho mais”.

Muita gente como Surman vem agindo movida pelo mesmo impulso, hoje em dia, e adotando o papel de um bom samaritano digital. A internet talvez permita que maus sujeitos persigam as pessoas e roubem suas identidade. Mas também facilita praticar a generosidade, devido aos sites e ferramentas que podem ajudar os usuários a identificar desconhecidos que tenham perdido objetos valiosos como carteiras, celulares e câmeras.

Também há empresas em ação para explorar o fato de que milhões de pessoas postam informações sobre si mesmas na internet. Os serviços tradicionais de achados e perdidos estão migrando para a web, e muitas empresas iniciantes e sites dedicados a hobbies surgiram com o objetivo de facilitar o impulso altruísta de devolver um objeto encontrado.

“Em geral, quando as pessoas têm a oportunidade de fazer algo de bom por alguém, elas a aproveitam”, disse Matt Preprost, universitário canadense que criou um blog, Found Cameras and Orphan Pictures (“Câmeras encontradas e fotos órfãs”), para devolver câmeras perdidas a seus proprietários.

Peter O’Donnell, 30, engenheiro no grupo de crédito hipotecário Fannie Mae, recentemente cedeu a um impulso humanitário depois de encontrar uma carteira perdida em uma loja de conveniência 7-Eleven em Washington. Antes de devolvê-la ao caixa claramente desinteressado, ele tirou uma foto da licença de motorista da proprietária da carteira, usando seu iPhone.

Na manhã seguinte, ele localizou a dona da carteira, uma universitária do Dakota do Sul, por intermédio do Facebook, e enviou um e-mail informando o paradeiro da carteira.

“Não é que eu seja santo, mas tento fazer o que posso, nos limites do razoável”, disse.

Alguns dos bons samaritanos digitais precisam trabalhar para contornar as barreiras erguidas para proteger a privacidade digital dos usuários de internet. Shannon Kokoska, 39, deixou cair a carteira em um ônibus em San Francisco, em janeiro, e na mesma noite, antes de perceber que a tinha perdido, recebeu uma mensagem de e-mail do homem que a havia encontrado. Duas das operadoras de cartão de crédito que a atendem recusaram fornecer seu endereço ou telefone ao bom sujeito que havia encontrado a carteira, e ele por isso recorreu ao Facebook.

“É agradável recordar essa história”, diz Kokoska, que recentemente teve seu iPod roubado no mesmo ônibus.

Muitos aeroportos e sistemas de trânsito estão usando estratégias semelhantes. O Aeroporto Internacional de Miami recebe perguntas sobre objetos perdidos via internet, e emprega a web como ferramenta primária para localizar os passageiros proprietários de itens perdidos.

Ernesto Alonso, o agente de operações de terminal encarregado desse serviço, já usou o Google e serviços de listas telefônicas online a fim de devolver um laptop a um viajante australiano, um contêiner repleto de equipamentos de satélite a uma empresa de Washington e uma urna contendo restos humanos a um cemitério em Nova Jersey. (Um membro da família do falecido inexplicavelmente deixou a urna sobre uma lata de lixo no portão de embarque.)

“Antes, devolvíamos cerca de 30% dos objetos encontrados”, disse Alonso. “Com a ajuda da internet, o número agora supera os 50%, e é preciso recordar que boa parte das coisas não devolvidas na verdade são lixo”.

Há quem considere que usar a web para restituir objetos perdidos a seus proprietários seja uma oportunidade de negócios. Diversas empresas iniciantes, com nomes como SendMeHome, BommerangIt e TrackItBack, permitem que as pessoas registrem e identifiquem seus objetos com códigos. Caso eles sejam perdidos, as pessoas que os encontrem digitam os códigos em um site e localizam o legítimo proprietário.

As empresas afirmam que mais de dois terços das pessoas que encontram esses objetos fazem a coisa certa e os devolvem.

No caso de Surman, publicar algumas das fotos no Flickr ajudou, com a ajuda de membros de seu grupo de discussões, a identificar o cenário de algumas das fotos, em Aberdeen, na costa leste da Escócia. Um membro do grupo que morava em Aberdeen conseguiu identificar a casa que aparecia em uma das fotos, e com isso o norte-americano Nick Filippelli, que vive temporariamente na Escócia com a mulher Tai. Ele já havia desistido de encontrar a câmera.

Filippelli mandou flores a Surman, e ainda que as fotos na verdade não mostrassem sua lua-de-mel e que ele tenha ficado um pouco assustado por alguém ter podido localizá-lo apenas com base em fotos, ainda assim ficou emocionado com o esforço de Surman.

“Quando descobrimos tudo que ela precisou fazer para nos localizar, o quanto se esforçou, ficamos emocionados”, diz. “Ela fez um excelente trabalho de investigação”.

 

Crédito: Terra

 

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