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Roger Lerina: “Falta coerência em ‘O Franco-Atirador'”

 Roger Lerina: “Falta coerência em ‘O Franco-Atirador'”
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O francês Pierre Morel dirigiu Liam Neeson no thriller Busca Implacável(2008), iniciando uma franquia que já está em seu terceiro título – e que transformou o respeitado ator em astro de produções policiais e de ação. Mas o diretor errou a mão, e sua receita de sucesso ficou insossa em seu novo filme. O Franco-Atirador (2015), longa que entra nesta quinta-feira em cartaz nos cinemas, é uma adaptação do romance policial The Prone Gunman (2002), de Jean-Patrick Manchette. Além de protagonizar o filme, Sean Penn também assina como corroteirista e coprodutor – o que talvez indique que o ator norte-americano de 54 anos esteja buscando novos rumos na carreira.

 

O começo de O Franco-Atirador – mesmo título em português do antológico drama de guerra dirigido em 1978 por Michael Cimino e estrelado por Robert De Niro e Christopher Walken – é enganadoramente promissor: as primeiras cenas, ambientadas em uma República Democrática do Congo convulsionada pela guerra civil e vampirizada por multinacionais, remetem a bons filmes como O Jardineiro Fiel (2005) e Diamante de Sangue (2006). A primeira parte situa-se em 2006, quando Martin Terrier (Penn) trabalha como um dos seguranças de uma empresa estrangeira no país africano, enquanto a namorada Annie (a bela atriz italiana Jasmine Trinca) atua como médica na mesma ONG que Felix (Javier Bardem).

Terrier e seus colegas, na verdade, são assassinos profissionais sob as ordens de Felix. Escalado para matar um ministro congolês contrário aos interesses dos contratantes desses mercenários, Terrier é obrigado a deixar o continente depois de alvejar o político, abandonando Annie sem dar explicações a ela. Oito anos depois, o ex-matador está de volta ao Congo, mas trabalhando em um projeto humanitário, longe do crime. Depois de quase morrer ao ser atacado em uma aldeia por um grupo de homens, Terrier desconfia que seus antigos empregadores querem eliminá-lo.

O protagonista viaja então para a Europa a fim de descobrir quem quer sua cabeça. Ao mesmo tempo presa e caçador, Terrier visita em Londres os velhos parceiros Cox (Mark Rylance) e Stanley (Ray Winstone) e reencontra em Barcelona a ex-companheira Annie _ agora casada com Felix. Enquanto busca a verdade, o personagem tenta escapar de seus perseguidores, que parecem estar tocaiados em todos os lugares.

Falta coerência em O Franco-Atirador: a transformação de Terrier em bom samaritano, a implausível estupidez de Felix e a capacidade irrestrita de perdoar de Annie não convencem. O caráter dos personagens, esboçado no princípio com determinados traços, é grosseiramente alterado depois do primeiro ato. Abrindo mão da possibilidade inicial de unir bom suspense com crítica à rapinagem do capital globalizado, o filme apequena-se ao optar pelos lugares-comuns dos longas de perseguição internacional. O cinema decididamente não precisa de mais um justiceiro casca grossa de meia-idade – e o ótimo Sean Penn merece ser lembrado por papéis bem mais expressivos do que esse de justiceiro arrependido.

O FRANCO-ATIRADOR
De Pierre Morel
Ação, França, 2015, 116 minutos, 12 anos. Estreia hoje nos cinemas (veja as salas e os horários no roteiro das páginas 8 e 9).
Cotação: 2 de 5 estrelas

 

 

Crédito: http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2015/05/roger-lerina-falta-coerencia-em-o-franco-atirador-4755088.html

 

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