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Projeto formador de talentos e com atletas de elite pede socorro no Rio

 Projeto formador de talentos e com atletas de elite pede socorro no Rio
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A dor nas canelas poderia ser só um reflexo das horas diárias de treinamento físico e de força de velocistas do Rio de Janeiro. A 501 dias dos Jogos Olímpicos do ano que vem, alguns atletas da cidade-sede também sofrem diante das más condições da pista que utilizam para os exercícios diários. Na Vila Olímpica Manoel José Gomes Tubino, no Mato Alto, o técnico e principal formador de base da cidade pede por ajuda. Com verbas reduzidas e pista pública deteriorada, Paulo Servo teme pelo futuro do projeto que lidera há muitos anos e que já formou nomes importantes no cenário nacional do atletismo. Atualmente, muitas partes do piso do local está desgastado, com a camada superior, que deveria absorver impacto, já apenas com a primeira camada de borracha. O local de prática de saltos também está tomado por grama e falta melhores equipamentos. 

O projeto de Paulo Servo é dividido em quatro núcleos (Mato Alto, Curicica, Santa Cruz e Santa Tereza). No ano passado, atendia pouco mais 800 crianças de comunidades do entorno das áreas.  No momento, teme ter que cancelar alguns dos núcleos, deixando de receber cerca de 600 jovens de oito anos em diante. A Vila Olímpica do Mato Alto fica na região de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro e está na alçada do Município. 

Todos os dias, jovens atletas trabalham duro na pista do Mato Alto. Sob os olhares de Paulo Servo, também estão nomes importantes da equipe brasileira de atletismo, como Jefferson Lucindo e Jorge Henrique Vides, que fizeram parte da equipe que foi quarto lugar no Mundial de Revezamento do ano passado, no 4x100m. Além da promessa Vitor Hugo Mourão, de 19 anos,  vice-campeão mundial juvenil em 2011, nos 200m rasos. Eles esperam por reforma no local que chamam de ''casa''.

– A pista está no osso. Já está na borracha preta. Os atletas, que hoje temos praticamente a elite do Brasil nas provas de velocidade, estão começando a sentir lesões. Vitor no joelho, Jorge sentindo, Jefferson sentindo… Porque o chão está muito duro. A gente está precisando de socorro. Eu soube que o novo secretário de esportes (Marcos Braz) é uma pessoa dinâmica e está preocupado exatamente com o nosso trabalho. Queria conversar a respeito de conseguir uma reforma para nossa pista. Ela está realmente carente – lamentou Paulo Servo.

O treinador, que colocou no cenário nomes como Rosângela Santos, explicou que o solo da pista está muito duro e que o impacto é prejudicial para os atletas, principalmente quando se fala das provas de velocidade, onde se executa praticamente uma sequência de saltos. A pista macia, como deve ser, previne lesões nos atletas.

– É como se estivéssemos treinando no asfalto. É complicado – disse Servo. 

Jorge Henrique Vides se prepara para viajar com alguns nomes do revezamento 4x100m brasileiro na próxima semana, para um camping voltado para o Mundial das Bahamas, que será disputado em maio. O atleta de 22 anos, porém, precisou superar uma contratura no tendão há pouco mais de duas semanas. Um dos motivos que ocasionaram o problema foi a própria pista.

– A pista não está em boas condições, não. Foi por causa disso que me machuquei também. Porque já está muito dura a pista. É mais impacto e não tem como amortecer. Tive que fazer uma palmilha para ter menos impacto. Sempre treinamos aqui, mas a pista era melhor – conta Jorge.

Para o treinador Paulo Servo, a estrutura na cidade está deficiente, sobretudo comparando com São Paulo. Não há um local público próprio para competições. Na cidade existem bons Centros de Treinamento das Forças Armadas. Após a demolição do Estádio Célio de Barros, no complexo do Maracanã, em 2013, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) fez uma parceria com a Aeronáutica, que recebe hoje atletas em um centro nacional, no Campo dos Afonsos. Paulo explica que seus atletas também são bem recebidos no espaço e ganham suporte, mas prioriza a importância da manutenção do projeto social na pista da Vila Olímpica Municipal. Por isso, briga para seguir ali.

– A gente trabalha às vezes na Aeronáutica. Mas quero ver isso aqui com 600, 700 crianças. O Coronel é amigo do atletismo, usamos também. Mas aqui é nossa casa. Se eu me afastar daqui para ir para o Centro Nacional, daqui a pouco não tem mais ninguém – disse Paulo, que ressalta o trabalho de acolhimento de promessas, fornecendo alimentação e até moradia e a importância da manutenção do projeto. 

A CBAt, por sua vez, não tem ingerência quando se trata do âmbito do Município. O presidente da entidade, José Antonio Martins, o Toninho, explica que o centro nacional na aeronáutica foi a forma de ajudar o atletismo do Rio, sobretudo após o fim das atividades do Célio de Barros. O local recebe mais de 100 atletas. 

– Temos todo nosso projeto, fizemos uma parceria com a Aeronáutica. Claro que a Confederação não pode ter um núcleo em várias partes da cidade, mas a gente tenta agilizar ao máximo – disse Toninho, que ressaltou que uma verba deve ser aprovada para a construção de uma nova pista do centro de Campo dos Afonsos. 

O presidente da Federação Carioca de Atletismo, Carlos Alberto Lancetta, mostrou preocupação com a situação da Vila Olímpica do Mato Alto, sobretudo por ser base de um projeto formador de talentos como o de Paulo Servo. Ele ressaltou a ausência de um local público atualmente para fazer competições locais na cidade.

– É uma pena, o Paulo tem uma equipe de ponta. Os atletas dele são muito bons. E eles não têm local para treinar. A gente tem uma dificuldade muito grande porque não tem local apropriado. Porque a própria pista do Mato Alto é de treinamento, não é oficial. Tem essa dificuldade no Rio de Janeiro. Lamentavelmente, porque nós somos a próxima cidade que vai sediar os Jogos Olímpicos. O único estádio de competição que nós tínhamos era o Célio de Barros e acabaram com ele – disse Lancetta, ressaltando o apoio que recebe com as escolas de educação física das Forças Armadas. 

O presidente da Federação Carioca também afirmou que a pista do Mato Alto foi construída na época dos Jogos Pan-Americanos de 2007. A ''vida útil'' teria sido reduzida por uma falha técnica na época das obras. 

– Essa pista do Mato Alto foi inaugurada por ocasião dos Jogos Pan-Americanos. E semelhante ao Engenhão, que teve que fazer obras, lá já está impraticável, porque a obra foi malfeita. Tinha que ter 13mm de borracha, mas por algum motivo botaram só 9mm. E daí a pista não durou nada. Nós estamos em 2015, e a pista já está praticamente inutilizada – afirmou. 

SECRETARIA BUSCA PARCERIA COM FEDERAÇÕES

Além do Mato Alto, o Rio de Janeiro tem hoje outras 20 vilas olímpicas. Uma das principais é o Complexo Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande. O local, que recebeu competições nos Jogos Pan-Americanos de 2007, era visto por Paulo Servo como estrutura única. Com pesar, ele afirma que o espaço também está enfrentando problemas.  

– Miécimo é um paraíso, um lugar maravilhoso completamente abandonado. A última vez que estive lá tive vontade de chorar. Tinha meia dúzia de gatos pingados fazendo ginástica. E a pista toda abandonada. Toda esburacada e não tem treinamento. Mas a gente mora em Jacarepaguá. Nossa vida é em Jacarepaguá. Todo mundo mora aqui – disse o técnico de atletismo. 

A questão envolvendo as vilas está na pauta da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Smel). Ex-dirigente do Flamengo, Marcos Braz, no entanto, assumiu a pasta há pouco mais de 100 dias. Disposto a ouvir as reivindicações no Mato Alto, o novo secretário afirma que os problemas estão sendo detectados. Segundo ele, a primeira medida será uma reunião, na próxima quarta-feira, com federações esportivas do Rio de Janeiro, para encontrar uma diretriz de trabalho. 

– Nesta quarta-feira, a gente vai fazer uma reunião da secretaria de esportes do estado. Com o Marco Antonio Cabral (da secretaria estadual de esporte, lazer e juventude), que a gente vai pôr na mesa dez federações esportivas do Rio. A maioria está dentro do município. Queremos fazer algumas ações conjuntas. E vamos levantar as demandas. Estamos pegando aos poucos os relatórios. Porque infelizmente o problema não é só desta pista – explicou Braz. 

O secretário disse ter visitado 90% das vilas desde que assumiu o cargo. Além de enaltecer a importância desta conexão com as federações esportivas, ele também quer entender mais a parte técnica que envolve uma obra em uma pista de atletismo, e no restante da vila (que inclui um projeto importante de handebol), para poder fazer uma obra concreta na região. Reconhece que os nomes importantes que utilizam o espaço do Mato Alto, assim como o trabalho realizado por Paulo Servo, aumentam a responsabilidade de gestão e decisões. Mas reafirma que existe um monitoramento, assim como a vontade de resolver a questão o quanto antes. 

– A gente não pode chegar e achar que a solução pragmática dos atletas ali daquela região, que a gente possa deslocar para outro local. De repente, a gente vai fazer uma interdição parcial da pista. Isso a gente vai avaliar junto com as federações para que a gente pegue a orientação técnica correta. Para que a gente não faça um negócio aleatório. Fazer uma obra boa em que a gente também não atrapalhe, fazendo ruptura, nas interseções que tem lá hoje – concluiu Braz.

 

Crédito: http://globoesporte.globo.com/atletismo/noticia/2015/03/projeto-formador-de-talentos-e-com-atletas-de-elite-pede-socorro-no-rio.html

 

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