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Por que Adriano volta para o morro?

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A ex-namorada de Adriano explicou as razões que levam o atacante a voltar à favela onde nasceu sempre que a vida aperta. “É lá que ele se sente uma pessoa normal. Lá, não tem essa de Imperador”, disse Joana Machado em entrevista ao jornal O Dia. De acordo com psicólogos, porém, o determinante não é o ambiente humilde, e sim a convivência com antigos amigos.

“Ele tem um envolvimento afetivo com pessoas que moram na favela. Se a ligação afetiva fosse com amigos do Morumbi ou de outro bairro rico, seria a mesma coisa”, explica Suzy Fleury, psicóloga que trabalhou com a Seleção Brasileira.

Segundo João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, a necessidade de Adriano recorrer a seus amigos da favela se dá por causa da ascensão como uma estrela do futebol. “Quando uma pessoa muda de classe social e econômica de uma forma muito abrupta, pode desenvolver um distanciamento de sua identidade e de sua imagem, logo é importante retornar à origem. Ele quer o colo da mãe e dos amigos”, analisa.

O psicólogo também entende que o ambiente na Itália pode ter influenciado na decisão do atacante de se “internar” no Rio de Janeiro. “A mansão que ele tem em Milão não condiz com o que viveu na infância”, aponta Cozac. “Quando há um conflito emocional, você recorre a uma estrutura que te dê mais suporte. Para o Adriano, isso é o morro. Tem muitos jogadores que convivem com amigos na favela e as pessoas não sabem.”

A psicóloga Suzy Fleury também sugere que contratempos pessoais devem ter sido a origem dos problemas do atacante. “Ele é um atleta de altíssimo nível que tem demonstrado nesses últimos dois anos muita instabilidade emocional. O Adriano mostra evidências claras de que algo extracampo aconteceu que o tirou desse caminho. Ele precisará trabalhar isso”, aponta.

Sâmia Hallage, psicóloga da Seleção Brasileira feminina de vôlei, concorda com a análise de Fleury. “A gente se comporta pelas coisas que vão acontecendo durante a nossa vida, é tudo um reflexo de experiências antigas”, diz a especialista. “Quando a pessoa fica famosa, acaba sendo alvo de notícias que nem sempre são verdadeiras. Cabe muito ao atleta saber separar o que é verdade e o que não é.”

Mesmo com questões emocionais, um acompanhamento psicológico pode não ser a solução para os problemas de Adriano. É o que pensa Cozac, que afirma que sua origem humilde o afastaria de trabalhar as emoções em sessões de terapia porque o tratamento psicoanalítico não faz parte dos signos e símbolos que o formaram.

“O Adriano poderia arrumar os problemas dele em uma psicoterapia. Mas qual seria a cultura que o levaria a fazer isso? Nenhuma. Ele conheceu a cervejinha com os amigos na favela. Isso dá suporte a ele, são essas coisas que ele tinha em suas raízes”, comenta o psicólogo.

 

Crédito: Terra

 

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