• TEL: (54) 3231.7800 | 3231.7828 (PEDIDOS DE MÚSICAS)

Pesquisadores falam sobre as novas descobertas em Saturno

Digiqole ad

Em Saturno, é hora do crepúsculo. As sombras se alongam por milhares de quilômetros sobre os famosos anéis do planeta, à medida que estes se inclinam lentamente na direção do Sol, o que fazem a cada 15 anos, e a luz expõe com a máxima clareza cada dobra, curva e calombo nas finas e lisas faixas que oferecem a mais popular das atrações cênicas do Sistema Solar.

De sua posição metafórica na ponte de comando da nave Cassini, que está em órbita de Saturno há cinco anos, Carolyn Porco, responsável pela equipe de controle de câmera do aparelho, se sente inspirada pela visão. “É mais uma daqueles coisas que me levam a me congratular pela sorte de viver na época em que vivo”, disse Porco. “Pela primeira vez em 400 anos, estamos vendo os anéis de Saturno em três dimensões”.

Na segunda-feira, Porco e a equipe da Cassini divulgaram imagens grandiosas dos anéis em toda sua enrugada glória, que inclui cristas, caroços, ondulações e ondas de quatro quilômetros de altura na beira de um dos anéis.

“Nós sempre soubemos que as imagens seriam boas; mas na verdade são extraordinárias”, diz Porco sobre os excelentes resultados que a colocaram em posição de destaque à qual ela está se acostumando cada vez mais, no mundo da ciência. “Sinto-me parte de uma grande aventura da humanidade”, diz. O trabalho pode ser executado por robôs, ela afirma, “mas somos todos exploradores”. “É uma emoção”, acrescenta, “e eu gostaria que todos percebessem o quanto emociona”.

Porco, 56, pesquisadora sênior no Instituto de Ciência Espacial de Buolder, Colorado, é líder da equipe de câmera na missão Cassini, um projeto de US$ 3,4 bilhões, e também professora adjunta da Universidade do Colorado e um dos nomes na lista compilada pela revista Wired de pessoas que deveriam estar assessorando o presidente Obama. Mas também se orgulha de suas raízes nos anos 60, e jamais abandonou a exuberância daquela era em que o presidente John Kennedy declarou que “nem o céu é o limite”.

Os textos que ela posta no site que exibe as imagens da Cassini ecoam o espírito do capitão James T. Kirk, de “Jornada nas Estrelas”.”2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, continua a ser o filme favorito de Porco, e ela ainda adora os Beatles. Em uma visita à Inglaterra, em 2001, ela e seus colegas recriaram a foto da capa do disco “Abbey Road”, com Porco à frente, vestida de branco, como John Lennon.

Porco nasceu e cresceu em uma família do Bronx, com quatro irmãos homens, e atribuiu a isso parte de seu sucesso subsequente na astronomia. “Estava acostumava a brigar e discutir com o sexo masculino”, conta. O pai dela, imigrante italiano, era motorista de caminhão, e a mãe cuidava da casa. Porco estudou na Cardinal Spellman High School, a mesma frequentada por Sonia Sotomayor, a nova juíza da Corte Suprema dos Estados Unidos.

Mais tarde, quando aluna da Universidade Estadual de Nova York em Stony Brook, ela conta que foi budista durante dois anos, enquanto se preparava para o futuro que havia vislumbrado aos 13 anos de idade, ao contemplar Saturno no telescópio de um vizinho. Em sua pós-graduação, no Instituto de Tecnologia da Califórnia, ela inicialmente enfrentou dificuldades mas logo conseguiu emprego como analista dos dados transmitidos pelas duas espaçonaves Voyager, que visitaram os planetas exteriores do Sistema Solar, de Júpiter a Netuno, entre 1978 e 1989.

Quando a Voyager passou da órbita de Netuno, em 1989, Porco era pesquisadora na Universidade do Arizona, e comandava uma equipe que tentava compreender os finos aneis que envolvem Saturno.

Porco conta que seu trabalho com a Voyager foi o melhor período de sua vida. “Tinha todos os elementos de uma lenda homérica”, afirma – “uma odisseia de 12 anos pontuada por breves episódios de descoberta e conquista, e depois de cada um deles era preciso voltar ao barco, colocar os remos na água e atingir o próximo porto”.

Consultora de filmes como “Contato” e o novo “Jornada nas Estrelas”, de J. J. Abrams, o trabalho de Porco sobre Saturno a levou a sugerir ao produtor Abrams que uma cena na qual a espaçonave Enterprise se materializava em meio a nuvens tivesse por cenário Titã, uma das luas de Saturno. A cena se tornou capa da revista “Cinefex”, sobre efeitos especiais no cinema.

“Em minha opinião”, diz Porco, “a maioria das pessoas passa pela vida rejeitando suas melhores partes. Elas perdem o enriquecimento que até mesmo um conhecimento básico sobre o mundo físico pode propiciar. É como se existisse um mundo pulsante e oculto, regido por leis e princípios antigos, governando tudo que nos cerca – dos movimentos das cargas elétricas às órbitas planetárias-, e a maioria das pessoas escolhe ignorar esse fato”. “Para mim, é uma vergonha”, acrescenta.

 

Crédito: Terra

 

Digiqole ad

Relacionados

Open chat