• TEL: (54) 3231.7800 | 3231.2828 (PEDIDOS DE MÚSICAS)

Pela diversificação da produção brasileira de maçã

Digiqole ad

Tendo em vista não só a manutenção, como também o incremento de sua participação de mercado, tanto interno como externo, o setor da maçã brasileiro tem como um de seus grandes desafios a identificação de novos clones e cultivares aptos a uma produção de excelência. Pois na manhã de ontem, dia 7, na Estação Experimental de Fruticultura de Clima Temperado (EFCT) da Embrapa Uva e Vinho, em Vacaria, mais um passo no sentido da ampliação do ‘espectro varietal’ da pomicultura brasileira foi dado. Isto se deu com o Dia de Campo sobre cultivares e clones de macieira para produção convencional e orgânica, no qual foi apresentado o andamento de projetos de pesquisa por meio dos quais está sendo comparado o comportamento de diversos materiais (clones e cultivares) de macieira, com o objetivo de identificar quais têm potencial para serem incorporados aos sistemas locais de produção convencional e orgânica. Mais de 70 pessoas, entre produtores, profissionais que dão assistência a empresas produtoras, estudantes e pesquisadores (da Embrapa e de outras instituições), participaram da atividade.

Iniciado em 2006, por demanda do próprio setor produtivo – por meio da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), a qual participou da escolha dos materiais a serem avaliados –, o estudo visando à produção pelo sistema convencional foi detalhado pelo pesquisador da Embrapa Uva e Vinho João Caetano Fioravanço. No experimento, agora na quinta safra, estão sendo comparados seis clones da cultivar Gala (Maxi Gala, Baigent, Galaxy, Gala Real, Royal Gala e Imperial Gala) e quatro de Fuji (Fuji Precoce, Fuji Suprema, Fuji Select e Mishima), além das cultivares Daiane e Pink Lady.

Os materiais foram plantados na mesma época e área, em pomares com sistemas característicos da produção regional em termos de manejo de solo, de pragas/doenças, de poda e de condução das plantas; enfim, sob condições controladas idênticas, de modo a permitir um comparativo real. No Dia de Campo, os participantes puderam fazer isto: percorrendo os pomares, avaliavam diversos aspectos (no caso, carga de frutos, sua cor, tamanho e uniformidade, além da sanidade e aspecto geral das plantas) dos clones de Gala sob estudo (somente estes por serem os únicos com frutos maduros no momento). A avaliação foi ‘às cegas’ – ou seja, só depois de feito o exercício é que foram revelados os nomes dos clones observados, nem todos (re)conhecidos pela totalidade dos participantes. A serem compilados, os resultados da prática são de importância estratégica, no sentido de expressarem a percepção da própria cadeia produtiva quanto aos materiais sob comparação, assinala o pesquisador Fioravanço.

Ele anota que a observação propiciada no Dia de Campo foi relativa aos resultados de uma safra com especificidades – no caso, a ocorrência de estiagem. “Apesar disso, a macieira se comportou bem, em termos de produtividade e de sanidade, enquanto os frutos apresentam boa cor e aparência, embora seu calibre (diâmetro) tenha sido prejudicado pela deficiência hídrica”, diz o pesquisador. Fioravanço aponta, ainda, que o projeto de avaliação está sendo desenvolvido nos três principais polos produtores de maçã no Brasil – no caso, em Vacaria, na EFCT, e em São Joaquim e em Caçador, nas estações da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).
O projeto que compara clones e cultivares para produção pelo sistema orgânico é único no país, tendo sido implantado já em área preparada especialmente para tanto, observou o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho Paulo Ricardo Dias de Oliveira, que o apresentou. A propósito, foi a primeira visita de um grupo externo ao pomar, anota Oliveira. São dois os experimentos em andamento. Um tem como proposta avaliar a diversidade genética, no sentido da constituição de um banco de dados sobre genótipos para produção pelo sistema orgânico. Estão sob comparação 52 genótipos/acessos, dos quais 23 de plantas antigas, 15 de materiais oriundos da França, 4 seleções desenvolvidas pela Estação da Epagri de Caçador e 10 outros materiais, implantados sobre porta-enxerto Maruba com filtro de M9 (um dos mais usados comercialmente no país), sendo, esta, sua segunda safra. O segundo experimento avalia a aptidão agronômica de materiais mais conhecidos, estando, sob estudo, oito genótipos/acessos. A apresentação sobre clones e cultivares para produção pelo sistema orgânico contou com intervenções dos pesquisadores da EFCT Gilmar Ribeiro Nachtigall, que detalhou o preparo do solo e o manejo da cobertura vegetal, e Sílvio André Meirelles Alves, que abordou o manejo de doenças.

O Dia de Campo sobre cultivares e clones de macieira para produção convencional e orgânica obteve boa repercussão entre quem participou dele.
O engenheiro agrônomo Celito Soldá, da Agro Comercial Hiragami, de São Joaquim, SC, destaca o evento como uma oportunidade importante para “avaliar, in loco, o que a pesquisa vem fazendo, permitindo uma aproximação entre esta e o setor produtivo”. Do que viu no Dia de Campo, salienta a uniformidade dos frutos de alguns dos materiais observados. Soldá, contudo, assinala a importância de aprofundamento do processo, por meio da continuidade da avaliação de aspectos como a compatibilidade entre porta-enxertos e plantas, sistemas de condução, nutrição das plantas, manejo de pragas e doenças e conservação, nas três regiões (Vacaria, São Joaquim e Caçador) sob estudo. Também é preciso saber como os produtores e os consumidores receberiam as maçãs dos novos clones e cultivares, diz o agrônomo. “Nós temos, enfim, que fazer o ciclo completo”, afirma.

O engenheiro agrônomo Luis Carlos Diel Rupp, coordenador do Centro Ecológico, de Ipê,
RS, classifica o Dia de campo como um momento de diálogo entre a prática de campo e o conhecimento gerado pela pesquisa, ressaltando a importância de a Embrapa desenvolver estudos no sistema orgânico. “Pela diversidade de coleções sob avaliação, trata-se de um trabalho que tem que ter continuidade”, afirma. “Já começam, enfim, a aparecer indicativos de cultivares adaptadas”, segue ele, observando que a maçã é uma cultura de “adaptação delicada” no Brasil, o que dificulta sua produção, seja na modalidade convencional ou orgânica, principalmente por conta da suscetibilidade à praga da mosca-da-fruta. “O sistema não vai avançar muito se não houver investimento em pesquisa”, pontua Rupp.

“O Dia de Campo mostrou seu acerto, de forma que precisamos, agora, intensificar esse tipo de trabalho e contato: o produtor demanda esse tipo de informação, e nós, da pesquisa, devemos proporcionar-lhe condições para conhecer o que há de novo em termos de cultivares e clones de macieira”, acrescenta o pesquisador João Caetano Fioravanço. “Na abordagem sobre produção pelo sistema convencional, os participantes puderam conferir o fruto de diferentes clones da cultivar Gala (no caso, Maxi Gala, Baigent e Galaxy), com uma coloração vermelho-intensa, rajada (com listras): é o tipo de alternativa que o fruticultor deve conhecer e considerar, para diversificação do que é oferecido ao consumidor”, diz o pesquisador Paulo Ricardo Dias de Oliveira. “Já os resultados mostrados para o sistema orgânico, mesmo que ainda iniciais, demonstram existir potencial para identificar genótipos mais aptos a serem utilizados nesse sistema”, segue Oliveira. Para ele, “os produtores e a pesquisa devem caminhar juntos, buscando permanentemente inovar no que se refere ao quadro varietal, em ambos os sistemas, convencional e orgânico”.

 

Crédito: Giovani Capri/Embrapa Uva e Vinho

 

Digiqole ad

Relacionados

Open chat