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Oscar Niemeyer deixou herança na Serra

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Estão lá as linhas sinuosas, marca registrada do que se convencionou chamar de arquitetura sensual de Oscar Niemeyer. Também figura na obra a opção pela solidez das formas, num exercício de volumetria modernista. Interditada desde 1997 por questões de estrutura, um dos problemas recorrentes nos projetos do arquiteto, a Casa do Povo, no bairro Glória de Vacaria, é a herança do traço de um dos gênios da arquitetura mundial na Serra e no Estado.

São 3.588,47m² de área num terreno de 9.229 m², em prédio decretado Patrimônio Artístico e Histórico do Estado desde 2008. A Casa do Povo começou se construída em 1985, sendo inaugurada em 1986, com show da dupla Chitãozinho e Xororó. É um auditório para 450 pessoas, único projeto de engenharia do carioca no Rio Grande do Sul.

A obra que os gaúchos a herdaram para posteridade é um cilindro de concreto, com grandes janelas circulares, distribuídas ao longo de sua fachada. Sinuosidade niemeiryana que acolhe e esconde, marca registrada de sua assinatura ora eleita como genial, ora criticada pela falta de funcionalidade nas soluções de usos e percursos.

Na verdade, o edifício de Oscar Niemeyer em Vacaria foi “adotado” por ele em 2005. Antes, era uma obra meio sem autor. Não seria de Niemeyer por conter, por exemplo, uma churrasqueira entre suas peças. Na reinauguração, em junho de 2012, saiu a área para churrascos e entraram recursos de calefação, piso acarpetado, camarins no subsolo, cômodos para oficinas que atenderiam a estudantes da rede pública.

Niemeyer nunca esteve em Vacaria. Quem encaminhou a restauração foi o arquiteto Jair Valera, do escritório carioca. Seu neto, Carlos Oscar Niemeyer, também orientou os trabalhos à distância, do Rio de Janeiro. Na inauguração deste ano, quem veio a Vacaria foi outro neto de Oscar, Carlos Henrique.

Quando o arquiteto assumiu a autoria da construção, em 2005, o que serviu para angariar recursos de finalização do espaço que custou em torno de R$ 3 milhões do começou ao fim de sua execução, ganhou a cidade e os gaúchos. Afinal, ter um Niemeyer em sua paisagem urbana é o equivalente a possuir um Di Cavalcanti ou uma Tarsila do Amaral em sua sala. Todos são uma autêntica afirmação da cultura brasileira em formas, nuances e diversidade.

 

Crédito: Pioneiro/Foto: Divulgação

 

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