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Mostramos nossa história, diz Branco Mello sobre filme dos Titãs

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Não contamos a nossa história, mostramos ela. Quem crava essa citação é Branco Mello, personagem e diretor do filme Titãs, a vida até parece uma festa que estréia em todo Brasil nesta sexta-feira.

Tudo começou quando Branco, logo depois do lançamento do disco Cabeça Dinossauro, resolveu comprar uma câmera para gravar cenas das turnês do grupo. Os anos se passaram, as filmagens dos bastidores continuaram, fitas foram se acumulando e o resultado disso é um filme que vai da comédia ao drama em instantes.

Os relatos e cenas inéditas da vida dentro e fora dos palcos, gravações de álbuns antológicos, viagens, reuniões, brigas e reflexões transportam o espectador para dentro da tela, fazendo com que cada um que veja o filme se sinta um membro do grupo. Nessas duas décadas de gravações, Branco e seus companheiros captaram e arquivaram sons e imagens em vários formatos como VHS, Hi-8, Super 8 e mini DV.

Em 2002, Branco convidou o diretor Oscar Rodrigues Alves para juntos dividirem o roteiro, a montagem e a direção do filme. O material era vasto, mais de 200 horas de imagens, e reduzir isso a 90 minutos (tempo de duração do filme) não foi fácil. “Quando a gente chegou num corte de 3h30 eu disse ‘putz, o que eu vou fazer agora?'”

Titãs, A Vida Até Parece uma Festa tem como fio condutor os álbuns da banda, que perfazem e atribuem alguma cronologia ao filme. Mas isso não engessou a montagem das cenas, que traz momentos do início da carreira.

Temas como a saída de Arnaldo Antunes e Nando Reis, que foram alçar vôos em carreira solo, bem como a trágica morte de Marcelo Fromer não deixaram de ser abordados na obra. Acompanhe a entrevista exclusiva que Branco Mello concedeu ao Terra:

Quando e por que você comprou aquela primeira câmera?
Foi em 1986, durante a turnê do Cabeça Dinossauro. Comprei pra me divertir mesmo, é muito legal ficar se filmando. Só que comecei a fazer isso direto, dentro do avião, em hotel, nas baladas, até que caiu a ficha, “isso aqui ainda vai dar um filme”. Continuamos filmando. Quando eu me dei conta, tinha mais de 200 horas de gravação, fitas e mais fitas. Então, em 2002, comecei a editar esse material. Isso tudo, junto de uma pesquisa gigante que fizemos nas emissoras de TV, deu no filme.

O filme convida a ser um integrante do grupo, o nono Titã. Isso foi intencional?
Totalmente, essa foi exatamente a intenção dele, de trazer o cara que assistir pra dentro da rotina, mostrando a nossa intimidade. Nós não contamos a história, mostramos a história. Não é um simples documentário de uma banda. Ao invés de trazer pessoas que conviveram conosco, nós mostramos as loucuras. Esse é o grande diferencial do filme.

Muitas vezes você aparece nas imagens. Quem estava filmando?
É, eu era o cara da câmera, mas o Paulo Miklos, o Marcelo Fromer, todo mundo filmava um pouco. Depois começou a ter namorada, produtor. Quem estava junto entrava na parada também.

Há uma ótima cena de uma discussão no estúdio, envolvendo o produtor Liminha e o batera Charles Gavin. Vocês filmavam todas as gravações ou aquilo foi “sorte”?
Cara, era eu mesmo que tava na câmera naquela cena. E quando o Liminha começou a dar o esbregue, eu fechei a imagem no rosto do Gavin. Acho que a sacada ali foi eu não ter desligado a câmera.

Branco, vendo o filme, hoje, qual é a cena mais emocionante para você?
Nossa, não sei responder isso. O meu apego é pelo todo, não tem como dizer. Como diretor envolvido em tudo aquilo fica difícil destacar uma única cena.

Ok, mas e como espectador?
Pensando assim, me toca bastante a cena do Marcelo, da morte dele. Quando eu anuncio a morte cerebral dele para a imprensa, esse talvez seja o momento mais radical do filme.

Você comentou que a edição partiu de mais de 200 horas de imagens. Teve muita coisa boa que teve que ficar de fora?
Pois é, eu não queria de jeito nenhum que o filme passasse de 90 minutos. Mas quando a gente chegou num corte de 3h30 eu disse ‘putz, o que eu vou fazer agora?’.

Teve alguma coisa que foi limada por uma censura interna?
Não, nada foi cortado por censura interna nossa. Até aquela cena do Charles Gavin. Eu confesso que mostrei a ele com certo receio, mas ele adorou, disse que estava merecendo mesmo aquela chamada.

E os outros seis membros, o que acharam do filme?
Todo mundo enlouqueceu! Já tava virando lenda essa história do “filme do Branco”, né? Mas ficaram todos emocionados e muito felizes. E ficou mesmo legal, fui atrás da melhor pegada de áudio, abri um 5.1, tinha que ter um áudio bom. Ajudou muito também o fato de não ter tido pressão, fiz e montei como eu queria.

O filme tem como fio condutor os álbuns da banda. Qual deles é o seu preferido?
Nossa, que pergunta difícil. Cabeça Dinossauro é um disco emblemático, né? É o primeiro que me vem à cabeça. Mas gosto muito também de Tudo ao mesmo agora e Titanomaquia, que são discos mais viscerais. Tem o Jesus não tem dentes no País dos banguelas, que é um clássico. Sem falar dos mais recentes. Todos eles são muito importantes para mim.

Pra fechar, vamos falar de novos projetos. Acha que uma carreira de diretor pode surgir daí?
Ah, não. Ao menos por enquanto não. Estou muito envolvido com o lançamento do filme no cinema, além do fato de que já estamos em estúdio gravando um disco novo, como músicas inéditas.

E esse novo disco já tem nome?
Não, não, estamos ainda naquela parte da votação (alusão à cena do filme em que os titãs aparecem votando quais músicas deverão ou não entrar para o álbum). Mas ele está quase pronto, pretendemos lançá-lo em abril.

E o que esperar dele, qual a pegada do novo álbum?
Uma mistura, valorizando as letras, músicas diferentes, um disco com a nossa cara. Mas posso dizer que há também uma idéia de, quem sabe, lançar em breve um DVD com as imagens que tiveram que ficar de fora do filme. Seria legal.

 

Crédito: Terra

 

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