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Mitos de bastidores são chamariz para grandes bilheterias

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No ano passado, o filme Batman – O Cavaleiro das Trevas tornou-se um grande sucesso de bilheteria depois que o ator Heath Ledger foi encontrado morto em seu apartamento, meses depois de rodar a produção. Ledger morreu de uma overdose de medicamentos, mas os veículos de comunicação davam conta, através de teses mirabolantes, que o ator tinha enlouquecido devido às manias psicóticas do personagem Coringa. A teoria ganhou força alguns meses antes, quando ele declarou que teve que pensar como um maníaco, por dias seguidos, para encarar o vilão de forma convincente.

Se parentes, amigos e até envolvidos na produção negam que Ledger estava afetado por Coringa, a morte serviu como chamariz para Batman – O Cavaleiro das Trevas. A atuação memorável do ator roubou a cena e a própria Warner fez questão de minimizar a importância do herói Batman (Christian Bale) na trama.

Filmes controversos de Hollywood quase sempre chegam carregados de mitos, especialmente aqueles produzidos no final da década de 1970 e início da década de 1980. Parte deles são usados, direta ou indiretamente, como forma de marketing promocional.

O caso mais parecido com o de Heath Ledger foi o do astro James Dean, que em setembro de 1955 morreu em um acidente de carro. Pouco tempo depois, Juventude Transviada chegou aos cinemas mundiais, arrebatando grandes quantias.

Antiga paixão do ator, a estrela suíça Ursula Andress declarou recentemente que se ele não tivesse morrido naquelas circunstâncias e quase simultaneamente ao lançamento de Juventude Transviada, Dean não seria uma lenda. O marketing do filme se vincularia à memória de Dean de tal forma, que ele hoje é lembrado, quase exclusivamente, com seu topete, cigarro na boca e calças surradas.

O mito da fé
De uma forma mais macabra, filmes como O Exorcista (William Friedkin, 1973) e O Iluminado (Stanley Kubrick, 1980) conseguiram se promover por conta de questões sobrenaturais que suas próprias tramas incitavam. A tensão dos bastidores e as estranhas mortes de supostos envolvidos na produção não mais soaram como autopromoção, mas sim como ação do “diabo”.

No documentário The Fear of God: 25 years of ‘The Exorcist’ (O Medo de Deus: 25 anos de ‘O Exorcista’, 1998), o diretor William Friedkin conta que o set de filmagem pegou fogo por causa de um defeito no ar condicionado. Alguns técnicos do estúdio também acabaram feridos por conta da exigência de manutenção de aparelhos e objetos nas cenas (um deles perdeu o dedo ao manusear uma serra para cortar madeira) e até a atriz Ellen Burstyn feriu a coluna depois de ser jogada contra um armário na gravação.

Há quem diga que, nos bastidores, a equipe de produção da Warner chamou um verdadeiro padre exorcista para abençoar o set e livrar todos os envolvidos de uma possível maldição. Friedkin, porém, nega os rumores.

“Para nós foi ótimo porque tínhamos um filme maldito. Não desmentíamos a lenda porque era interessante manter o mito”, contou ele, com um sorriso no rosto.

Das nove pessoas que supostamente morreram durante as filmagens, apenas duas eram diretamente ligadas ao filme: o ator Jack MacGowran, vítima de uma pneumonia, e o segurança do estúdio, que foi baleado em uma tentativa de assalto. As outras sete eram nada mais que parentes ou amigos de algum envolvido da produção. Claro que os boatos não podiam ser desmentidos.

Outra lenda citada pelos fãs de terror é que após gravar O Iluminado, a atriz Shelley Alexis Duvall teria ficado louca com a macabra trama em que o vigia de um hotel (Jack Nicholson) era lentamente tomado por espíritos malignos. Tudo porque na época do lançamento, Shelley não quis participar das premières do filme. A ausência tinha lá seus motivos: ela estava irritada com o diretor Stanley Kubrick, que gritava e a chamava de incompetente nas filmagens.

Kubrick queria incitá-la a ficar cada vez melhor e mais amedrontada nas cenas em que era perseguida por seu marido no hotel. Resultado: os gritos de Shelley ficaram marcados na história do terror. Sair correndo enlouquecida virou padrão para produções B que chegariam apenas nos anos 1980. Prova de que uma lenda pode mesmo ser positiva para transformar um filme em um clássico.

 

Crédito: Terra

 

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