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Joel sem mágoa: ‘Futebol é como o amor’

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Em sua primeira entrevista após deixar o comando da África do Sul, Joel Santana adotou a diplomacia. Preferiu não criticar dirigentes, jornalistas, jogadores, e comparou a rescisão de contrato ao fim de um relacionamento. “Futebol é como o amor”, filosofou. O amor dele com a África do Sul durou um ano e cinco meses e teve bons momentos, como o quarto lugar na Copa das Confederações, e crises como as oito derrotas nos últimos nove jogos, que decretaram o rompimento da relação.

– Mas joguei contra Brasil, Espanha, Alemanha… você queria o quê? – ressaltou Joel.

Entre as arrumações para a mudança para o Rio de Janeiro, o agora ex-técnico da África do Sul conversou com o GLOBOESPORTE.COM na recepção do apart hotel onde mora, em Joanesburgo. Falou sobre a demissão, as críticas que sofreu, o fim do sonho de disputar uma Copa do Mundo com a seleção anfitriã e sobre futebol brasileiro. Avisou que só deve voltar a trabalhar em janeiro, mas dois minutos depois já tinha mudado de ideia. Disse até que aceitaria entrar na reta final do Campeonato Brasileiro, mesmo se fosse para lutar contra o rebaixamento.

– Se a torcida comprar o barulho comigo, eu vou – brincou.

GLOBOESPORTE.COM: Qual é o seu sentimento por deixar a África do Sul a menos de um ano da Copa?
JOEL SANTANA: O futebol é como o amor. Se a mulher não te quer mais, você vai fazer o quê? Eu gostaria de continuar, mas não deu. Não fico chorando o leite que já caiu no chão, tenho que partir pra outra. Estou satisfeito, aliviado, tranquilo. Fiz tudo o que tinha que fazer aqui, não me arrependo de nada, e tenho certeza de que essa experiência vai me dar mais grandeza no futuro. Vou levar muito carinho do país e principalmente das pessoas. Vou lá na rua e todo mundo continua me tratando do mesmo jeito, com o mesmo respeito. A direção da Federação também me tratou muito bem, fez tudo direitinho, me convidou para vir à Copa… Eu disse a eles que se não estiver trabalhando até dou uma chegada aqui.

GE: Está chateado por ter perdido a oportunidade de dirigir a seleção anfitriã em uma Copa do Mundo?
JS: Eu gostaria de disputar uma Copa do Mundo, mas Deus achou que não era o meu momento. Já perdi título no último minuto, assim como já ganhei, e o que eu aprendi é que não devo ficar mastigando as coisas ruins. Jogar uma Copa, pra mim, não é um objetivo final, mas é claro que se eu tiver oportunidade futuramente vou gostar. O mundo não acabou, não. Calma que as coisas acontecem…

GE: Você se arrepende de ter enfrentado adversários como Sérvia e Alemanha logo após ter jogado contra Espanha e Brasil na Copa das Confederações?
JS: Tudo o que fiz foi pensando em 2010. Fui eu que sugeri jogar fora de casa, enfrentar adversários complicados, encararmos dificuldades, porque a Copa será assim também. Não tenho nada para resmungar, lamentar, faria tudo de novo.

GE: Como encara as críticas de que sua equipe era muito defensiva?
JS: Reclamaram que joguei com três volantes contra a Alemanha lá na Alemanha. Mas você quer o quê, que eu jogue aberto? Cada um tem sua maneira de ver o futebol, mas é fácil ganhar da Alemanha lá? Do Brasil, da Espanha? Vai ver se é…

GE: Quem espera que seja o seu substituto na África do Sul?
JS: Eu não estou sabendo de nada ainda. Se for o Parreira, como estão dizendo, acho que vai ser uma boa, para dar continuidade ao trabalho que vínhamos fazendo.

GE: Por que o futebol sul-africano tem tido tantas dificuldades nos últimos anos? JS: Olha, eu tenho minha opinião sobre isso, mas prefiro guardá-la pra mim. Não vou ficar tacando pedra neles porque a Federação não tacou pedra em mim, foi muito correta comigo. Sempre saí muito bem dos lugares por onde passei e quero que aqui seja assim também.

GE: Vai torcer para a África do Sul na Copa de 2010?
JS: Claro, para o Brasil e para a África do Sul. Se bobear até levo minha vuvuzela pra fazer barulho também.

GE: Hoje se arrepende de ter trocado o Flamengo, que vivia um grande momento com você, pela África do Sul?

JS: Essa é uma pergunta boa, mas este não é o momento de responder. Vou deixar para respondê-la lá no Brasil.

GE: Isso é um “sim”?
JS: Olha, é muito difícil conseguir o que conseguimos naquele momento com o Flamengo. O time criou uma identidade muito grande. Ter o aval de jogadores, comissão técnica, diretoria e torcida é o mais difícil de conseguir no futebol, e acho que tínhamos isso.

GE: Quais são seus planos profissionais quando voltar ao Brasil?

JS: Até o fim do ano fico de stand-by, em janeiro estou pronto para voltar a trabalhar. Com certeza vai aparecer alguma coisa, não tenho dúvidas. Até porque sou iluminado. Quando eu chegar no Rio as coisas já vão começar a acontecer pra mim…

GE: E se alguém te chamar para dirigir um clube que luta contra o rebaixamento?
JS: OTitanic está no mar. Se bem que de repente eu vou. Gosto de desafios. Se a torcida comprar o barulho comigo, eu vou.

GE: Talvez Botafogo, Fluminense…?
JS: O Real Madrid e o Barcelona perderam ontem, será que ninguém vai me chamar não, hein? Deixa o Cuca lá resolver o problema dele. O time do Fluminense não é ruim, tem Fred, Luiz Alberto, Conca… Eu vi que o Fluminense já conseguiu melhorar nos últimos jogos, de repente dá uma equilibrada, ganha cinco seguidas e sai dessa. Mas Fluminense e Botafogo já passaram por isso, assim como o Palmeiras, o Grêmio, o Vasco, e todo mundo já viu que o mundo não acaba se o clube for rebaixado. Segunda divisão não é para dar tiro na cabeça, é para reavaliar e consertar o que está errado.

 

Crédito: Globo

 

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