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Hospital da Restinga será primeiro 100% SUS construído em 40 anos

 Hospital da Restinga será primeiro 100% SUS construído em 40 anos
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O barulho de furadeiras e martelos é música para os ouvidos dos moradores que passam ao lado de um prédio de três andares em processo de acabamento, no coração do bairro Restinga, um dos mais populosos de Porto Alegre. Está por nascer ali o Hospital da Restinga, sonho acalentado há décadas por mais de 100 mil habitantes da
zona sul da Capital.

A inauguração deve ocorrer no dia 6, e depende apenas de detalhes: um deles é espaço na agenda da presidente Dilma Rousseff, que faz questão de estar presente. Apesar da cerimônia, o atendimento ao público começará mais tarde, provavelmente depois do dia 20.

A construção não é obra do governo. O hospital foi erguido, mediante programa de isenções fiscais, pela Associação Hospitalar Moinhos de Vento, responsável pela unidade de mesmo nome no bairro Moinhos de Vento. Mas o governo federal será responsável por 50% das verbas para manutenção.
O Estado arcará com 25% e o município, com os 25% restantes.
A estimativa é de que sejam investidos na unidade, por mês, entre R$ 3,8 milhões e R$ 4,1 milhões.

— É o coroamento de uma parceria que tem tudo para dar certo. Construímos, vamos treinar e contratar os funcionários, mas os governos bancarão a receita. Até porque o hospital atenderá 100% pelo SUS, sendo destinado a quem não pode pagar pelo serviço médico — afirma Luiz Antonio Mattia, gerente de operações de responsabilidade social do Hospital Moinhos de Vento.

O Hospital da Restinga está todo pintado em tons claros e, na ala das crianças, em cores vivas, onde também deve ter decorações de personagens de histórias infantis, para alegrar os pequenos. Em nada lembra os estabelecimentos de saúde do início do século 20, que eram cinzentos, lúgubres e tristes.

O início da construção foi dado em 2010. A inauguração estava prevista para o fim do ano passado, mas atrasos na obra e indefinições sobre o modelo de gestão adiaram o término para maio e, agora, junho. Há quatro décadas que um hospital com atendimento gratuito não é construído na Capital – embora dois que chegaram a fechar tenham sido reabertos recentemente, o Independência e a Unidade Álvaro Alvim (ambos ex-Ulbra).

A diferença em nascer do zero é que o hospital pretende ter equipamentos modernos e novos conceitos de atendimento. A unidade integra o Sistema Regional de Saúde Restinga e Extremo Sul, que prevê atendimento da atenção básica até a especialidade.

Isso inclui equipes de estratégia da saúde (para serviço de atenção básica), de família (com visitas a pacientes em casa), emergência e um centro de especialidades médicas.

Estrutura e funcionamento

O que: Hospital da Restinga, administrado pela Associação Hospitalar Moinhos de Vento.

Endereço: Avenida João Antonio da Silveira, 3.330, na Restinga.

Atendimento: 100% pelo SUS. A meta é atender até 1 mil pacientes por dia, quatro vezes mais do que é atendido por médicos da família e no Pronto Atendimento do Moinhos na Restinga.

Capacidade: 121 leitos de internação e de UTI, além de 47 de apoio (pós-operatório), mas a abertura deverá ser em etapas. Deve começar com 24 leitos de observação (17 adultos e sete pediátricos na emergência) e 30 de internação (20 adultos e 10 pediátricos).

Especialidades: a meta é oferecer de imediato serviços de emergência e médicos de família. Depois, há previsão de começar a oferta de outros atendimentos, de obstetrícia,
cirurgia e odontologia.

Meta é contratar funcionários criados na própria comunidade

Prestigiar a prata da casa deve ser mantra no Hospital da Restinga. Tanto que 110 técnicos de enfermagem oriundos do bairro e já treinados pela Escola de Gestão do grupo Moinhos de Vento serão deslocados para atuar no hospital, perto de casa.

— Nossa ideia é trabalhar para a comunidade e também pela comunidade, contratando prioritariamente gente da Restinga — resume o médico Luiz Antonio Mattia, do grupo Moinhos.

Além desses 110 profissionais, estão em andamento oito turmas de técnicos de enfermagem e de formados em outras disciplinas, como nutricionistas, camareiros e cuidadores — pessoas especializadas em tomar conta de idosos doentes, algo muito requisitado na Restinga. Os estudantes são transportados em ônibus custeados pelo grupo Moinhos.

A Escola de Gestão funciona no colégio Bom Conselho, no mesmo quarteirão do hospital. O auxiliar de cozinha Maurício dos Santos Duarte, 29 anos, é um dos que se formou ali e agora trabalha no hospital Moinhos. Por pouco tempo. Assim que inaugurarem a unidade da Restinga, ele será transferido para o bairro onde vive há 20 anos:

— Melhor, impossível. Moro a um quarteirão do hospital.

Duarte pega hoje um ônibus e percorre 30 quilômetros de distância, na ida e na volta, para chegar ao hospital Moinhos. Agora, trabalhará “praticamente sem sair de casa”. Ele diz que não pretende ficar a vida toda cuidando da comida dos pacientes. Ainda neste ano, quer começar, na Escola de Gestão, o curso de técnico em enfermagem. Fará isso assim que conseguir o diploma de Ensino Médio, pré-requisito para essa função.

— E, quem sabe, um dia ser médico? – cogita.

Diagnóstico compartilhado via internet e respeito ao ambiente

O equipamento de raios X e o tomógrafo do Hospital da Restinga são digitais, como a maioria dos aparelhos disponíveis na recém-criada estrutura.

A grande vantagem disso é que os exames feitos pelos pacientes poderão ser transmitidos via internet para verificação de especialistas situados a quilômetros de distância. Alguns deles estarão no Hospital Moinhos de Vento, localizado a 30 quilômetros da Restinga. Outros poderão estar ainda mais distantes, em outros Estados ou até diferentes países. Um conforto que nasce junto com o hospital.

A diretoria promete também cuidados especiais com o ambiente. O estabelecimento terá estação de tratamento de esgoto (ETE), sistema de coleta de água da chuva para uso nos sanitários e energia solar captada por painéis. O telhado, aliás, deverá ser no estilo ecológico, com cobertura feita de plantas.

 

Crédito: ClicRBS

 

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