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Futuro da música digital também está na nuvem

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Com o acordo assinado este mês para comprar o Lala, um serviço de música na web, a Apple pode estar apontando o caminho para o futuro da música. Nesse futuro, os arquivos de música digital que as pessoas armazenam em seus computadores podem se unir aos discos em vinil, fitas cassetes e CDs no empoeirado porão dos formatos musicais abandonados.

Os fãs de música em lugar disso empregarão seus computadores permanentemente conectados e seus celulares inteligentes para visitar uma vasta juke box virtual na qual canto gregoriano, canções de Lady Gaga e os diversos séculos de música que os separam estarão disponíveis instantaneamente.

Para um quadro pequeno mas crescente de apreciadores da música, essa não é uma visão estapafúrdia. Josh Newman, 30, consultor de tecnologia em Toronto, viaja extensamente e paga US$ 16 ao mês pelo Spotify, um serviço de música por assinatura por enquanto disponível oficialmente apenas na Europa. O Spotify permite que seus usuários ouçam sem quaisquer limites as faixas que constam de seu acervo.

Desde que o Spotify lançou um aplicativo para o iPhone, meses atrás, Newman começou a ouvir música quase exclusivamente por meio do site, ainda que tenha 35 mil canções gravadas nos discos rígidos de seus computadores.

“A ironia é que eu nem mesmo ouço toda aquela música”, disse Newman. “Como se eu fosse preguiçoso demais para isso. Caso haja um artista cujo som desejo ouvir, prefiro usar o Spotify do que procurar pela faixa desejada em minha coleção”.

A ideia de uma juke box sem limites de memória no céu ¿ ou, em informatês, “na nuvem” – existe já há algum tempo, mas está dominando os pensamentos dos executivos de um setor para o qual “choro” é mais que um tipo de música. O setor de música, que uma década atrás movimentava US$ 40 bilhões anuais, agora fatura metade desse montante. E, em uma tendência ainda mais ameaçadora, o crescimento da receita auferida com downloads digitais, que ainda respondem por apenas um quinto do total vendido, já começa a se desacelerar.

O acordo para a aquisição do pouco conhecido Lala foi um negócio modesto do ponto de vista da Apple; o preço foi de mais de US$ 80 milhões, de acordo com uma pessoa que está informada sobre os termos da transação. Mas ele gera muito interesse pela indicação que oferece sobre os planos da Apple quanto aos serviços de música em formato stream.

Com receita anual de US$ 2 bilhões em sua loja digital de música iTunes, a Apple está em posição favorável para orientar os consumidores ao longo do processo de armazenagem de suas coleções de música em servidores na web, e para ensiná-los a ouvi-las de maneiras diferentes. Além disso, a empresa também poderia promover estreita integração entre um serviço como esse e o seu iPhone, iPod Touch e todos os demais aparelhos Apple, existentes e futuros, capazes de se conectar à internet.

Os usuários não teriam mais de sincronizar suas coleções de música entre diferentes aparelhos, não precisariam se preocupar com a memória restante em seus celulares e poderiam trocar listas de faixas e recomendações com os amigos de maneira muito mais fácil.

A Apple poderia pedir que os usuários pagassem uma assinatura mensal por acesso a um catálogo de música armazenado em nuvem, semelhante ao do Spotify. Dois executivos do setor de música afirmam que a empresa já vem estudando um serviço desse tipo há anos, mas que não havia conseguido chegar a acordo com as gravadoras quanto aos termos de divisão da receita.

“Nós em geral não comentamos sobre nossos propósitos e planos”, disse Steve Dowling, um porta-voz da Apple.

David Pakman, sócio do grupo de capital para empreendimentos Venrock e antigo presidente-executivo do serviço de download musical eMusic, disse que a Apple poderia “acelerar o movimento da mídia para a nuvem com mais rapidez que qualquer outra empresa”. E a aquisição do Lala, em sua interpretação, “nos informa que é isso que eles estão fazendo”.

Outros recentes desdobramentos nos setores de música e tecnologia também sugerem mudança iminente em uma abordagem secular quanto à música, que as pessoas por muito tempo tenderam a considerar como algo que tinham, quer em formatos físicos ou em formatos digitais em seus computadores.

Em agosto, o Spotify introduziu seu aplicativo para o iPhone, que armazena cópias temporárias de canções e listas de músicas no aparelho para que a execução possa continuar caso o celular perca a conexão. O presidente-executivo da Spotify, Daniel Ek, disse que o número de assinantes havia crescido significativamente desde a introdução do aplicativo. Ele não quis fornecer números exatos.

O aplicativo para o iPhone foi “um grande passo rumo a uma mudança de paradigma que tornaria o acesso à música de forma geral mais importante do que compras à la carte”, disse Ek.

A Spotify, sediada em Londres, espera lançar seu serviço nos Estados Unidos no começo do ano que vem, ainda que pessoas informadas sobre suas negociações com as gravadoras tenham alegado que estas estavam resistindo a um componente do serviço que oferece música gratuita, bancada por publicidade.

O Pandora, um serviço de rádio via internet gratuito, oferece um aplicativo que continua a estar entre os mais populares no iPhone, e a empresa diz que 30% de seus usuários se conectam por meio de celulares.

Enquanto isso, a MySpace, controlada pela News Corp., adquiriu dois serviços de música no mês passado, o iLike e o Imeem. Pessoas informadas sobre as negociações, da parte do MySpace, afirmam que a empresa está desenvolvendo um serviço de música por assinatura para complementar o seu MySpace Music, gratuito, que opera como joint venture com quatro gravadoras.

Courtney Holt, presidente da MySpace Music, não quis discutir detalhes específicos do plano. Mas disse que os consumidores se interessam menos pela forma de distribuição da música do que por descobrir novas maneiras de descobrir e compartilhar música com seus amigos.

As empresas iniciantes de tecnologia esperavam há anos que a vasta seleção e conveniência das ofertas de música via Web convencessem as pessoas a gastar alguns dólares ao mês em assinaturas de acesso a serviços musicais. Mas esse negócio, para empresas como a Rhapsody, uma joint venture entre a RealNetworks e a MTV, e o Napster, divisão da Best Buy, ainda não demonstrou grande potencial.

Mas com os atrativos adicionais oferecidos pelo acesso a esses serviços via celular, muitos empresários decidiram reconsiderar o modelo. “Não existe nada de sexy em um arquivo MP3 no computador”, disse David Hyman, presidente-executivo da Mog, que este mês lançou um serviço por assinatura chamado Mog All Access. “Não creio que os consumidores se importem com onde a música está armazenada, desde que possam ter acesso a ela sempre que desejarem”.

Nem todo mundo concorda em que música na nuvem será a saída mágica para as gravadoras. Os críticos da ideia dizem que a conectividade sem fio, especialmente em redes sobrecarregadas como as da AT&T nos Estados Unidos, tem confiabilidade baixa demais, por enquanto, para oferecer um stream constante de música para todos os aparelhos móveis. Eles também se preocupam com a possibilidade de que as operadoras de telefonia sem fio elevem as tarifas dos serviços de dados, se os streams de música e vídeo se provarem populares.

Parece provável que a ideia de música como propriedade não desapareça de todo, e que novos métodos de acesso a música continuem a conviver com os antigos. Bobby Mohr, 23, um fã de música de Brooklyn que tem 100 gigabytes de canções acumulados em seu computador, mantém parte de seu acervo em sites de armazenagem gratuita na internet, para que possa baixar faixas ao viajar e queimá-las em CDs que ouve no carro.

Mas Mohr hesita em abandonar a ideia de propriedade sobre a música, ao menos integralmente, e menciona a baixa confiabilidade das redes sem fio e o fato de que sua coleção de música não estaria acessível no local em que trabalha, uma agência de fiscalização do trabalho policial, onde o acesso à internet é proibido.

“Gosto de ter discos rígidos externos nos quais armazenar minha música”, ele disse. “Você simplesmente coleciona o material, e forma um acervo. Descobre novos gêneros a cada ano, e estuda aquilo que já tem gravado; é uma sensação agradável”.

Bob Lefsetz, editor do influente boletim musical Lefsetz Newsletter, reconheceu que há quem deteste a ideia de não ser dono da música que ouve, mas ele compara a situação à das pessoas que no passado diziam que jamais alugariam um videocassete.

“Se você perguntar a qualquer um, hoje, a pessoa dirá que ‘preciso ter minha música’. Mas quando esses serviços existirem, chegaremos ao ponto de a resposta ser ‘para que ser dono, se tenho acesso a tudo?'”

 

Crédito: Terra

 

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