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Filho de João do Pulo dá os primeiros passos no basquete com Leandrinho

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Pernas tremendo, mãos suando e unhas na boca. A sensação de que algo muito importante vai acontecer a qualquer minuto. Olho na porta e nada. “Será que não vem?”, pensa o menino. Então, o ídolo chega, e tudo aquilo que ele sempre pensou em dizer naquele momento foge de sua mente ainda jovem de apenas 14 anos. Fica até meio bobo, como ele mesmo diz. Nessa hora, não há genética de campeão que salve a emoção de conhecer alguém a quem se admira. Logo depois, o abraço, e as lágrimas rolando com a expectativa de “um dia eu chego lá”. Essa história poderia ter acontecido com qualquer menino do Brasil. Mas aconteceu com o filho de um João. Emmanuel, caçula de um dos maiores esportistas do país, João do Pulo, conheceu sua inspiração no basquete, o jogador da seleção brasileira Leandrinho.

Foi na última sexta-feira (10) que Emmanuel deixou, quieto, Pindamonhangaba rumo a São Bernardo do Campo. Nenhuma palavra era dita em vão. Apenas respostas à mãe, Maria Aparecida, que levava o irmãozinho, Pedro, de 1 ano e 3 meses no colo. Bem parecido com o pai, o menino, que tem o apelido de Pulinho, misturava um semblante de seriedade e molecagem de criança, mas sempre com uma mostra de seu sonho deixando escapar. Sonho este que começou em frente a uma tela de computador. No início do mês, Emmanuel, que tem 1,77m e calça 43, entrou em contato com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM e pediu ajuda para conseguir um teste em um time de basquete. Atendido, não acreditou quando recebeu a ligação, contando que iria ao “camp” do jogador Leandrinho.

– Eu achei que era brincadeira. Não podia ser verdade. Mas quando vi que ia acontecer mesmo fiquei feliz demais e fui logo contar para quem mais importava. Pedi para a minha mãe me levar ao túmulo do meu pai e falei para ele: “Pai, vou conhecer o Leandrinho. É a minha chance. Olha por mim” – disse Emmanuel.

Apesar de não ter conhecido o pai pessoalmente – João do Pulo morreu em 1999, quando o filho tinha apenas 4 anos, e já estava separado da mãe quando o menino nasceu -, Emmanuel conversava por telefone com ele, que o chamava de “filhão”. Com ingenuidade de criança, chegou a levar biscoitos e chicletes para oferecer ao pai em seu velório como demonstração de seu carinho. O mais próximo que estiveram foi quando João já estava em coma e a irmã levou uma foto de Emmanuel vestido de caubói para colocar sobre o peito do “paizão”. Mesmo assim, até hoje o menino busca imagens dos tempos em que seu pai foi bicampeão pan-americano no salto em distância e salto triplo (1975 e 1979) para guardar como lembrança.

E a memória ganhou mais um episódio na última semana. Emmanuel foi convidado a treinar com os meninos do “camp” de Leandrinho. Na mesma hora, vestiu o uniforme e começou a quicar a bola. Com olhos atentos às instruções dos professores, mal viu o momento em que o ídolo chegou à quadra. Levado a cumprimentar o jogador, o menino olhava para cima e não dizia nada, apenas ouvia Leandrinho explicar quanta dedicação seria necessária para que ele alcançasse o sonho de jogar na NBA, liga americana de basquete, por onde o brasileiro foi eleito o melhor sexto homem na temporada 2006/07 pelo Phoenix Suns.

– Vejo semelhança com a minha história. Quando eu tinha 5 anos, prometi à minha mãe que jogaria na NBA. Às vezes, eu não acreditava, mas sabia que para chegar lá eu tinha que treinar muito. Foi difícil, tive que passar por várias barreiras. Mas a gente precisa ter sonhos e objetivos, uma meta na vida. E isso o Emmanuel tem. Tenho certeza de que ele vai chegar. Vai ser muito bacana para todos nós vermos mais um Pulinho brilhando pelo nosso país – brincou Leandrinho, que tem 1,91m de altura, apenas 14 centímetros a mais que o pupilo.

Preocupado com a revelação de novos talentos do basquete brasileiro, o jogador, que também começou sua carreira no interior de São Paulo, fez questão de dar atenção especial a Emmanuel. Leandrinho ensinou Pulinho a se movimentar em quadra e a se posicionar para arremessar a bola. Depois do treinamento, a avaliação foi positiva.

– Vejo talento nesse menino, ele tem futuro. É um cara longo, jovem, que tem altura e vontade. Precisa apenas de algumas aulas de movimentação, tempo de bola, ou seja, um trabalho mais técnico e completo, porque noção de basquete ele já tem. Espero que ele siga em frente e conquiste o sonho de chegar na NBA. Estou muito feliz de estar aqui com ele. O João fez muito pelo nosso país, então fazer isso agora é muito importante para mim.

Ao lado de Leandrinho, uma figura simpática e extrovertida deixou a brincadeira de lado para falar com o filho de um amigo. Zequinha Barbosa, campeão mundial indoor dos 800m em 1987, olhava emocionado para os saltos de Pulinho. O ex-atleta conheceu Emmanuel ainda pequeno, quando visitou a casa da família. Agora, vendo a altura do menino, o velocista pensou em como poderia ajudá-lo. E chegou a uma conclusão.

– Eu quero que você aprenda os movimentos básicos do atletismo. Porque lá, você vai conseguir correr, saltar e arremessar, o que também é preciso saber para jogar basquete. Então, vou te dar um treinamento interligado para que você desenvolva melhor sua coordenação motora fina e ganhe mais agilidade e força física. Fico emocionado de te ver seguindo os passos do pai, mas não deixe ninguém te pressionar. Se você não quer fazer atletismo, não faça – disse Zequinha.

Assim como o ex-atleta, a mãe de Pulinho, Maria Aparecida, não quer que o filho se sinta pressionado a treinar atletismo.

– Ele vai seguir a vocação dele. Pode ser o que for, sei que o João lá do céu vai estar gostando de qualquer coisa – comentou.

Certo de que seu futuro está na bola laranja, Pulinho não parava de sorrir ao lado de Leandrinho. Emocionado com a atitude do fã, o jogador quis retribuir. Depois do treino particular e de avaliar o jogo do menino, o ala-armador conversou com os professores do “camp” e todos concordaram que aquele encontro não poderia acabar ali. E não acabou.

– Conversei com um amigo meu que mora em Pindamonhangaba e tem uma escolinha de basquete lá. Você vai treinar com ele – contou.

Emmanuel começa a treinar perto de casa nesta segunda-feira. Uniforme e tênis, ele já tem. Foram mandados pelo ídolo Leandrinho direto para sua casa. Agora, o futuro dirá o que vai acontecer. Mas, se depender de Pulinho, o destino dele está a algumas milhas de distância do interior de São Paulo e o sucesso é garantido: “Eu vou jogar na NBA, vocês vão ver.”

 

Crédito: Globo

 

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