• TEL: (54) 3231.7800 | 3231.2828 (PEDIDOS DE MÚSICAS)

Estudo: tufões podem causar tremores de baixa intensidade

Digiqole ad

Cientistas constataram que os tufões carregam energia suficiente para deflagrar pequenos e lentos abalos sísmicos, na porção leste de Taiwan. Os terremotos lentos acontecem como resultado do deslocamento ou ruptura de uma falha geológica, o mesmo processo que resulta em terremotos de grau elevado de violência.

Mas ao contrário da liberação súbita de energia que acontece em um terremoto convencional, os abalos lentos acontecem ao longo de algumas horas, ou até mesmo de um ou dois dias.

Agora, cientistas dos Estados Unidos e de Taiwan examinaram os eventos relacionados a todos os abalos sísmicos lentos registrados no leste de Taiwan, para o período de 2002 a 2007. Constataram que 11 dos 20 eventos sísmicos lentos coincidiram com a presença de tufões – ciclones tropicais que se originam na porção noroeste do Oceano Pacífico. Durante os tufões, a pressão atmosférica sobre as regiões terrestres cai e, pelo menos na parte leste de Taiwan, essa alteração nas condições de pressão pode bastar para deflagrar um evento sísmico em uma falha geológica que já esteja em situação de desgaste, gerando um abalo.

“O tufão não é nada mais que um gatilho de altíssima sensibilidade”, diz Alan Linde, geofísico da Instituição Carnegia, em Washington. Linde é um dos autores do trabalho, publicado pela revista Nature. “Qualquer ligeiro abalo nesse gatilho pode deflagrar um evento sísmico na região da falha geológica”.

Pequenos tremores
Os terremotos lentos não emitem ondas sísmicas fortes o suficiente para que sejam registradas pelos sismômetros utilizados regularmente para essa finalidade, de modo que, para detectar a atividade desses tremores, os pesquisadores instalaram “medidores de desgaste” de altíssima sensibilidade dentro de perfurações com profundidade máxima de entre 200 e 270 metros.

Taiwan se localiza na divisa entre a placa tectônica do Mar das Filipinas e a placa tectônica eurasiana, e faz parte de uma das regiões de maior atividade sísmica no planeta. Os autores especulam que esses eventos frequentes de abalos sísmicos lentos possam estar agindo como uma espécie de válvula de liberação de pressão, liberando as forças de choque em trechos limitados da falha geológica e impedindo o acúmulo de forças que geram terremotos violentos nessa região.

“Não registramos o acúmulo continuado de forças intensas em uma porção longa da falha geológica, o que é necessário para que seja gerado um grande terremoto”, afirmou Linde. O mais poderoso dos terremotos lentos que a equipe estudou nessa região corresponde a um terremoto violento de magnitude 5,4. Para fins de comparação, a área da Fossa de Nankai, localizada nas imediações, no Japão, costuma experimentar abalos sísmicos com força oito a intervalos de aproximadamente 100 a 150 anos.

“Por isso, especulamos que esses eventos lentos na verdade sirvam para prevenir o acúmulo de forças que resultariam em um evento de magnitude oito” no leste de Taiwan, diz Linde.

Abalos não detectados?
Não se sabe ao certo se fenômenos semelhantes estão ou não acontecendo no restante do mundo. Em certas regiões da falha geológica de Cascadia, que se estende da porção norte da ilha de Vancouver, no Canadá, ao norte da Califórnia, os tremores associados a pequenos deslizamentos sísmicos -conhecidos como “eventos de tremor e deslize episódico”, ou ETS-, costumam acontecer a intervalos aproximados de 15 meses. Estudos anteriores demonstraram que os eventos ETS podem ser deflagrados por terremotos acontecidos em locais remotos e por variações intensas nas forças das marés.

Ainda que a região de Cascadia não esteja sujeita a tufões, ela experimenta extensos sistemas de baixa pressão atmosférica que poderiam produzir pequenas cargas de tensão sísmica no seio da crosta terrestre. E esse fenômeno talvez seja semelhante àquilo que vem acontecendo em Taiwan, diz Herb Dragert, geofísico do Serviço Canadense de Levantamento Geológico, em Sidney, Colúmbia Britânica, que não participou do estudo.

Até o momento, ninguém investigou se as mudanças na pressão atmosférica pode ser a causa da deflagração de eventos ETS, afirma Dragert. Mas a similaridade entre os resultados desse mais recente estudo e as constatações de pesquisas anteriores, aponta o estudioso, indica que “alterações muito pequenas nas forças sísmicas acumuladas podem dar início a esse deslizamento lento e a fenômenos do tipo terremoto lento”.

O estudo concentrou suas atenções em um segmento bastante específico de uma falha geológica identificada na porção leste do território de Taiwan, mas Gregory Beroza, especialista em questões sismológicas da Universidade de Stanford, na Califórnia, afirma que, em última análise, “esse trabalho pode nos oferecer uma compreensão mais aprofundada da maneira pela qual os terremotos se desenvolvem em geral”.

É difícil calcular ou estimar até que ponto esses eventos de terremoto lento estão presentes em outros pontos do planeta, acrescenta Beroza, porque existem muito poucos instrumentos capazes de monitorá-los espalhados pelas regiões do planeta teoricamente suscetíveis a terremotos lentos. “É perfeitamente possível que algo desse tipo esteja acontecendo em todos os lugares, mas simplesmente não dispomos dos instrumentos que permitiriam que acompanhássemos e detectássemos sua ocorrência”.

 

Crédito: Terra

 

Digiqole ad

Relacionados

Open chat