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Especialistas esclarecem os recentes tremores de terra no RS

 Especialistas esclarecem os recentes tremores de terra no RS
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Localizado ao centro da placa tectônica Sul-Americana, o Brasil não é um país suscetível a grande abalos sísmicos. No entanto, nos últimos meses pequenos tremores de terra têm assustado os gaúchos.

Foram pelo menos oito registros, ocorridos, principalmente, na Serra. Apesar do susto, especialistas garantem que a baixa intensidade não oferece risco à população.

De acordo com Roberto Cunha, chefe do Departamento de Geologia da UFRGS, há quatro explicações possíveis. A primeira, seriam abalos naturais ligados a placas tectônicas. Mesmo que a região seja estável, é possível haver tremores de menor intensidade.

Outra possibilidade seria o reflexo de terremotos nos Andes. Cunha afirma que abalos na região podem se propagar até aqui.

Uma terceira explicação estaria ligada a explosões em pedreiras, que também podem se propagar rapidamente na Serra. Por fim, Cunha aponta a exploração de água subterrânea.

— Quando o lençol freático perde água, o terreno perde a sustentação e se reacomoda, o que pode provocar pequenos abalos — explica.

Já José Roberto Barbosa, técnico em sismologia do Centro de Sismologia IAG/ USP, descarta estas opções. Para ele, os tremores têm causas naturais e são resultado do atrito entre os diferentes materiais que compõem o solo.

— Estamos no centro da placa Sul-Americana, e como estas placas estão em constante movimento, os diferentes materiais do solo (granito, basalto, calcário, rochas sedimentadas etc) entram em contato gerando uma tensão muito grande — fala.

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Por que os tremores ficaram mais evidentes nos últimos anos?

Roberto Cunha diz que não há explicação para isso. Ou os fenômenos não eram sentidos ou eram mais fracos. Não há relação com o tempo atual.

De acordo com Barbosa, os fenômenos não são novidade, no entanto, nos últimos meses têm epicentro embaixo de bairros residenciais, o que os torna mais perceptíveis.

É possível prever por quanto tempo podem ocorrer?

Não. Terremotos e atividades vulcânicas são fenômenos naturais impossíveis de prever.

Há algum risco à população?

Cunha garante que os tremores não oferecem riscos maiores, afora o susto que provocam . Barbosa concorda e destaca que fenômenos como os observados, de magnitude em torno de 3 graus na Escala Richter não causam grandes problemas.

— Ele, sozinho, não é destrutivo — afirma Barbosa.

Por que há mais ocorrências na serra gaúcha?

Para Cunha, a explicação é a altitude, onde qualquer abalo é sentido. Barbosa complementa dizendo que as regiões serranas têm muitas falhas geográficas, muitas montanhas e morros. Estas pequenas falhas e diferenças na topografia do material que compõe o solo acumulam energia, que é liberada aos poucos.

Alguma outra região no Estado está sujeita a sentir tremores?

Além da Serra, moradores de prédios mais altos de Santa Maria e Passo Fundo já relataram pequenos tremores. Neste caso, segundo Cunha, seria reflexo de terremotos nos Andes.

E no Brasil?

Barbosa explica que a localização do Brasil não favorece grandes terremotos. O maior já registrado teve 6.2 graus e ocorreu no Mato Grosso, em 1955. Fora isso, no Rio Grande do Norte há ocorrências em função da acomodação das camadas de terra, diz Cunha.

Veja os últimos registros feitos pelo Centro de Sismologia IAG/ USP no RS*:

21/8 – Caxias do Sul: 1.9
18/8 – Eldorado do Sul: 2.3
6/8 – Gramado: 0.7
4/8 – Gramado: 1.3
4/8 – Gramado: 0.9
4/8 – Gramado: 2.6
29/7 – Pinheiro Machado: 2.6
27/6 – Nova Pádua: 2.5

*Valores de acordo com a Escala Richter

 

Crédito: ClicRBS

 

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