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Entenda a fantasiosa conquista do espaço feita pelo cinema

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Há exatos 40 anos quando deixou o módulo da Apollo 11 para tocar na superfície lunar, Neil Armstrong estava marcando o maior ponto de todos na corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética. Iniciada depois da Segunda Guerra Mundial com o seqüestro dos cientistas nazistas, como Von Braun (um dos fundadores da NASA), a disputa por cada pedaço do espaço era acirrada pelas duas potências da época e os soviéticos já tinham conseguido ser os primeiros a lançar um satélite artificial, o Sputnik, e enviar o primeiro homem para a órbita terrestre, o cosmonauta Yuri Gagarin.

Acontece que no mundo do cinema, Armstrong não foi o primeiro a realizar o feito. Nos primórdios da sétima arte, George Meliès realizou o sonho antigo dos terrestres ao filmar Viagem à Lua (Le Voyage Dans La Lune), em 1902. Magistralmente realizado apesar dos poucos recursos as época, o filme, além de inaugurar o gênero de ficção científica, mostrou que mais do que retratar imagens cotidianas, o cinema poderia trabalhar com a fantasia. Em 1929, o alemão Fritz Lang realizou A Mulher Na Lua e antecipou situações como a gravidade zero e a contagem regressiva. O filme foi tão realista em alguns pontos que os nazistas confiscaram as cópias temendo que fosse uma divulgação disfarçada dos planos de seus mísseis V1 e V2.

Já na América, por anos Hollywood investiu em ficções voltadas a mostrar o futuro do homem, até que em 1950 o tema da corrida ao espaço voltou à moda. Neste ano, veio Rocketship X-M (Da Terra à Lua no Brasil) onde um foguete a caminho da Lua é atingido por uma chuva de meteoros e cai em Marte. Lloyd Bridges estava no papel principal. No mesmo ano, o filme Destination Moon, de Irvin Pitchell, mostrou um grupo de homens a caminho da Lua, eles eram financiados por um milionário que não desejava que os russos chegassem antes. Apesar de lento e chato, o filme respeitava as leis da física e mostrou, por exemplo, a superfície lunar como ela é na realidade, além de trajes lunares totalmente fechados e estágios de descompressão. Além disso, não dispensou os riscos da viagem espacial quando, no final do filme, os tripulantes constatam que o foguete não tem combustível suficiente para a volta e começam a descartar equipamentos para deixá-lo mais leve, acabam tendo que deixar um dos companheiros para trás.

Em 1968, no auge da corrida espacial, o prolífico cineasta Robert Altman realizou Countdown (que no Brasil recebeu o nome de No Assombroso Mundo da Lua). O filme mostra o desespero dos americanos em mandar um homem à Lua, já que ficam sabendo que os russos já têm uma missão pronta para isso. A ideia é mandar um astronauta e deixá-lo no satélite por um ano para depois construir uma nave para resgatá-lo. É óbvio que não se pode esquecer 2001, Uma Odisséia no Espaço, o incompreensível filme de Stanley Kubrick que se tornou um dos grandes clássicos do cinema. Em um momento, o longa aborda uma missão a Júpiter que acaba por sofrer problemas devido à programação do computador de bordo, o Hal 9000.

No ano em que o homem chegou à Lua, Gregory Peck estrelou Sem Rumo no Espaço (Marooned), de John Sturges, onde um grupo de astronautas fica à deriva no espaço uma vez que seus retrofoguetes não funcionam. Uma missão de resgate é acionada, mas tem que enfrentar um furacão na base de lançamento enquanto o suprimento de ar do foguete defeituoso está diminuindo gradativamente.

Em um mundo onde a ficção científica era praticamente propriedade do cinema americano, um filme russo acabou impressionando o público e os críticos. Solarys, de Andrei Tarkovsky, mostra uma base humana no misterioso Oceano Solarys em outro planeta. Os integrantes da missão são acometidos por visões e um psicólogo é enviado para entender o que está acontecendo. A obra teve uma refilmagem recente feita por Steve Soderbergh com George Clooney no papel principal. Ainda em 1972, o diretor Douglas Trumbull realizou Corrida Silenciosa, uma ficção científica com toques hippies e trilha sonora de Joan Baez, enfocando a história de uma base espacial com os últimos remanescentes das florestas terráqueas e a rebeldia do solitário zelador quando recebe ordens de destruir tudo e voltar para casa.

Em 1983, Philip Kaufman contou toda a história do programa espacial americano, dos tempos do piloto Chuck Yeager aos astronautas da missão Mercury com o sensacional Os Eleitos (The Right Stuff), baseado na obra de Tom Wolfe. É um dos melhores retratos dos erros e acertos dos Estados Unidos e Rússia na conquista do espaço. Já em 1985, o trio Spielberg, Ron Howard e Tom Hanks decidem contar a história da desastrosa missão espacial da Apollo 13, em 1970, que fez o mundo parar e se unir na esperança de que os astronautas conseguissem voltar para casa sãos e salvos (o Papa, na época, chegou a rezar uma missa pública pelos tripulantes). O filme foi um sucesso tão grande que acabou gerando a série de TV da HBO Da Terra à Lua, produzida pelo cineasta e pelo ator e que também relata todas as missões feitas pela NASA, abordando até mesmo temas como as esposas dos astronautas.

Mesmo com fim da corrida espacial e dos planos de se colocar o homem além da Lua, os filmes continuaram a retratar missões humanas no espaço. O excelente Gattaca , de 1997, apesar de estar mais focado em engenharia genética, mostra um homem cujo sonho é participar de uma viagem espacial (onde os astronautas viajam de terno e gravata, diga-se de passagem). Já Cowboys do Espaço, de 2000, brinca com velhos ícones do cinema (Clint Eastwood, James Garner e Donald Sutherland) ao colocá-los como veteranos de antigas missões da NASA chamados para resolver um problema em um satélite soviético.

Em 2000, Marte foi também revisitada em dois filmes, quase 50 anos depois que Papai Noel havia realizado o feito (no terrível Papai Noel Conquista os Marcianos, de 1956, considerado um dos piores filmes já feitos até hoje). Planeta Vermelho, de Antony Hoffman, e Missão: Marte, de Brian de Palma, abordam o mesmo tema: astronautas indo para o planeta vermelho e se dando muito mal. Em 2007 o ganhador do Oscar por Quem Quer Ser Um Milionário, Danny Boyle, fez Alerta Solar, onde uma missão terráquea é enviada ao sol para tentar reviver a bola de fogo que está se extinguindo e que significaria o fim da Terra. E este ano ainda veremos Moon, com Sam Rockwell no papel do solitário empregado em uma base na Lua que sofre um acidente e passa a questionar sua missão.

De qualquer maneira, se seu sonho é ir para o espaço sideral não deixe de ver (e ler) O Guia Dos Mochileiros das Galáxias, de 2005, e saiba por que, além de não entrar em pânico, você nunca deve sair em suas peregrinações espaciais sem uma toalha.

 

Crédito: Terra

 

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