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Eduardo Farenzena é condenado a 20 anos e três meses pela morte da miss Caren Brum Paim em Caxias do Sul

 Eduardo Farenzena é condenado a 20 anos e três meses pela morte da miss Caren Brum Paim em Caxias do Sul
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Eduardo Farenzena foi condenado na noite desta sexta-feira a 20 anos e três meses pela morte da representante de Caxias do Sul no concurso Miss Itália Nel Mondo Caren Brum Paim. Os crimes que levaram à condenação do ex-namorado da vítima foram homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Caren foi morta por Farenzena em 30 de novembro de 2010. Dias antes do crime, os dois haviam rompido um relacionamento. Após uma discussão, Farenzena avançou sobre ela e a apertou seu pescoço com as duas mãos. Com a ajuda da mãe, Rosmarina Silveira de Oliveira, Farenzena enrolou o corpo da miss em um cobertor e o colocou dentro de um carro, seguindo para a Rota do Sol, onde o cadáver foi deixado.

Rosmarina também foi condenada a prestar um ano de serviços comunitários pela participação na ocultação de cadáver.

A mãe de Caren, Sonia Paim, se manifestou após a divulgação da sentença:

— A gente esperava mais ou menos.

A pena de Farenzena refere-se à soma de 19 anos pelo homicídio e um ano e três meses pela ocultação de cadáver. O tempo que ele já cumpriu (está preso desde 2011) é descontado desse total. E a cada três dias estudados ou trabalhados na prisão, um é descontado da pena.

No total, foram mais de 14 horas de julgamento, que começou às 9h24min.

Após a manifestação através de votos dos sete jurados, quatro mulheres e três homens, a juíza Milene Fróes Rodrigues Dal Bó estabeleceu a pena.

Trabalharam na defesa de Farenzena os advogados Ivandro Bitencourt Feijó e Maurício Adami Custódio. Rosmarina foi representada pelo defensor público Cláudio Luiz Covatti.

No debate entre a acusação e a defesa, o promotor de Justiça Rodrigo de Oliveira Vieira sustentou que Farenzena é um homem que se apresenta bem, tem bom vocabulário e usa seu poder de convencimento para conseguir favores de homens e mulheres.

— A força dele para cometer crimes não é física, é a soberba, o uso das palavras — declarou o promotor.

Segundo ele, passaram sete minutos até ela morrer.

— O que Farenzena chama de acidente, o Código Penal dá nome e sobrenome: é homicídio qualificado — bradou o promotor — Farenzena é mais um daqueles a dizer que matou por amor. Mas quem ama não mata, tolera um desprezo, uma desilusão. Desilusão não é um sentimento que se confunde com sangue.

O defensor público que representou Rosmarina buscou desassociar a ré da morte da miss para pedir a absolvição.

— Em momento algum podemos associar a conduta de Rosmarina com a morte da Caren. Ela não merece ser condenada, é uma pobre coitada que foi submetida a coação moral — disse o defensor.

Na defesa de Farenzena, os advogados buscaram sustentar que o casal tinha um relacionamento, o que eliminaria o motivo torpe da morte. A defesa também pediu aos jurados que votassem a favor da atenuante de atitude sob violenta emoção. O argumento foi utilizado para buscar a redução da pena.

Custódio chegou a afirmar que os jurados deveriam, sim, condenar Farenzena.

— Vossas Excelências vão votar, sim, pela condenação, isso é incontestável.

Na réplica, porém, o promotor recorreu a depoimentos dados anteriormente por Farenzena e Rosmarina, onde eles afirmaram que, na época do crime, o relacionamento entre o autor e a vítima do assassinato já havia acabado. O promotor também leu uma parte do depoimento de Farenzena em que ele afirmava que amava Caren e queria reatar com ela. Com esse argumento, Rodrigo buscou sustentar que existiu o motivo torpe.

Durante todo o julgamento, Farenzena permaneceu tranquilo. Ele e a mãe adotaram posturas diferentes durante o julgamento. Rosmarina evitou olhar para as testemunhas, o júri e o plenário. Em alguns momentos, ficou de costas para a plateia que acompanhou o julgamento.

Farenzena ouviu os depoimentos atentamente. Enquanto ele permaneceu atento durante todo o tempo, olhando inclusive para a plateia, Rosmarina permaneceu de cabeça baixa. No intervalo, no começo da noite, foi servido xis aos integrantes do julgamento. Farenzena aceitou o lanche e tomou guaraná. Rosmarina recusou.

Ao final do depoimento, Farenzena pediu para fazer uma declaração, assumindo a culpa.

— Estou preso há mais de três anos e vejo gente presa porque roubou um rádio, enquanto isso o mensalão está em casa — disse, arrancando risadas do público — Foi uma reação explosiva combinada com sentimentos. Ela pisoteava no meu coração, ela sabia que estava doente. Eu acabei cometendo esse terrível erro. Como eu me arrependo — completou, sem expressar emoção.

Nem mesmo nas manifestações do promotor, algumas vezes aos gritos, Farenzena esboçou reação. Enquanto isso, Rosmarina apoiou o rosto com uma das mãos e o encobriu com os cabelos.

Na fase final do julgamento, o promotor se aproximou de Farenzena. O réu girou a cadeira, virou-se de frente para o acusador e o encarou. Rosmarina seguiu de cabeça baixa e escondeu a face com os cabelos.

Farenzena está preso desde 2011 na Penitenciária Regional do Apanhador, para onde retornou após o julgamento.

 

Crédito: ClicRBS

 

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