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Descrentes e sem salário, funcionários relatam drama e temem fim do Paraná

 Descrentes e sem salário, funcionários relatam drama e temem fim do Paraná
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O Paraná Clube, fundado em 1989 e pentacampeão estadual nos anos 90, corre risco de fechar as portas. Segundo o gerente de futebol, Marcus Vinicius, se não houver uma reformulação, com o apoio maciço da torcida, esse será o futuro da equipe. Principais vítimas da crise, os funcionários também temem pelo fim do Tricolor da Vila Capanema. Sem salários há até sete meses, eles mostram descrença. Reclamam da falta de apoio ou, pelo menos, de uma previsão por parte da diretoria. Alguns trabalhadores estão sem receber desde agosto, outros desde setembro ou outubro. Eles não têm ideia de quando a situação será regularizada ou quando parte da dívida será paga. Diante do cenário, a diretoria convocou um pronunciamento, marcado para as 10h desta terça-feira, na sede social do clube, mas não adiantou o teor da entrevista.

 

Os funcionários do Paraná, cujos nomes e funções serão mantidos em sigilo pela reportagem do GloboEsporte.com, relatam o drama vivido nos últimos meses. Alguns passam fome. Outros, sem conseguir pagar o aluguel, são despejados. Um segurança não tinha dinheiro para pagar o enterro do pai. Muitos precisam trabalhar no contraturno ou nos finais de semana para viver, ou melhor, para “sobreviver” – como vários deles definem.

 – Estamos descrentes, perdendo a esperança. A gente pensa em ir para a Justiça, mas, às vezes, demora ainda mais. E ficamos na esperança de que vão pagar. Infelizmente, pela situação que está, pelas dívidas, o clube pode até acabar. Está faltando funcionário, e ninguém quer trabalhar aqui. Quem vai aceitar sabendo que não vai receber? – questiona uma funcionária, que está no clube há mais de 20 anos.

A situação só não é pior porque os jogadores costumam arrecadar dinheiro entre eles para ajudar cozinheiras, porteiros, faxineiras, seguranças e outros trabalhadores. O meia Lucio Flavio, revelado para o futebol no Paraná e um dos líderes do elenco atual, é um dos mais engajados. A torcida organizada Fúria Independente também contribui com doação de cestas básicas.

– Dos jogadores, eu não posso reclamar. Eles ajudam muito. Eles recebem o bicho e dão 50, 100, 200 reais para a gente. Nós já recebemos até 850 deles. Eles também dão cesta básica. A Fúria também ajuda. Outros torcedores também. Se não fosse isso, muitas pessoas provavelmente não estariam mais aqui – completa outra funcionária, que torce pelo Tricolor desde a época do Colorado (um dos clubes fundadores do Paraná) e que não perde um jogo sequer na Vila.

Há um porém: os jogadores também estão com os salários atrasados. No caso deles, há quatro meses. E, no Campeonato Paranaense, eles só recebem o “bicho” (premiação extra por vitória ou por objetivo cumprido) em jogos maiores ou nas fases decisivas. Ou seja, nem eles estão conseguindo dar uma ajuda para os empregados do clube.

“Pior momento da crise”

Os funcionários do Paraná definem este início de 2015 como o pior momento vivido pela crise – os atrasos salariais e as dificuldades financeiras assolam o clube há pelo menos três anos. E o cenário é preocupante. Muitos trabalhadores – que, além dos salários, também não recebem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) – acionam a Justiça. O próprio gerente de futebol, Marcus Vinicius, tinha falado durante o pronunciamento no último domingo que, se não houver união no clube, “a Justiça vai tomar tudo do Paraná”.

– Todo mundo que sai entra na Justiça. Tinha gente que trabalhava há mais de 20 anos no clube, que queria continuar, mas chega uma hora em que chega ao limite. Um tempo atrás, (integrantes da diretoria) falaram que ia melhorar, que essa diretoria faria diferente. Vamos esperando. E a gente vai ficando, vai ficando. Mas é difícil de sair. No meu caso, eu dependo disso aqui e não tenho para onde ir – diz um empregado do Tricolor, há seis meses sem salário. 

Procurados pela reportagem, o presidente Rubens Bohlen e diretores do Paraná não atendem as ligações desde a manhã de segunda-feira. Os próprios funcionários reclamam dessa omissão por parte da cúpula tricolor, que não dá explicações e muito menos uma previsão:

– A gente não quer o mal do clube. Só quer receber. Mas ninguém vem aqui explicar o que está acontecendo, ninguém fala quando a gente vai receber – completa outra funcionária, que tem recebido há sete meses apenas o dinheiro para ir para o trabalho e voltar, de ônibus.

Com tantos funcionários ou ex-funcionários na Justiça, a infraestrutura do Paraná acaba correndo risco. O clube conta, atualmente, com quatro sedes: Vila Capanema, Vila Olímpica do Boqueirão, Ninho da Gralha e Sede Social da Kennedy.

A Vila Capanema está em disputa na Justiça por uma dívida do clube com a União. A diretoria quer fazer um acordo para que ela retire a ação e libere o terreno. Em troca, a prefeitura de Curitiba construiria uma arena no Boqueirão. O Ninho da Gralha é usado pelas categorias de base. Já a Sede da Kennedy teve seu salão – palco de festas famosas no passado – arrendado em novembro de 2012.

O momento atual é dramático. O clube até tenta algumas ações, como reduzir a folha salarial do elenco, unir os planos para oferecer mais benefícios aos sócios e buscar novos parceiros (como no ano passado, para que o CT Racco virasse a “casa” do grupo principal). Mas o futuro é muito preocupante. Há uma luz no fim do túnel? O que será feito para que o Tricolor volte a brilhar como há 10, 15 ou 20 anos?

– Tem hora que dá revolta. Espera (o salário) hoje, espera amanhã, espera um mês, outro, outro e nada. Peço para Deus que as coisas melhorem. Só Jesus pode dar uma luz – conclui uma funcionária, há mais de 20 anos no clube e que conta os dias para a aposentadoria.

 

 

Crédito: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/parana/noticia/2015/02/descrentes-e-sem-salario-funcionarios-relatam-drama-e-temem-fim-do-parana.html

 

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