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Danrlei diz que viagens ainda são um tormento: ‘É impossível pregar o olho’

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Aos 34 anos, o goleiro Danrlei já passou por fases complicadas no Grêmio e no Atlético-MG. Mas nada que se compare ao Brasil de Pelotas nesta temporada. Contratado em 5 de janeiro, ele sofreu um acidente de ônibus dez dias depois junto com a delegação do time. Morreram dois jogadores, o atacante Claudio Milar e o zagueiro Régis, e o preparador de goleiros Giovani Guimarães.

Desde então, a equipe acumulou problemas (clique aqui para ler mais). E hoje está na lanterna do Campeonato Gaúcho, sem uma vitória sequer, brigando para não ser rebaixada.

Danrlei diz que só por milagre o Brasil de Pelotas não cairá e conta os efeitos que os jogadores ainda sentem do acidente. Durante as viagens de ônibus, por exemplo, ele não consegue pregar o olho por um minuto e chega ao fim da viagem “com a cabeça estourando de estresse”.

– É impossível para qualquer ser humano dormir depois do que a gente passou, por maior que seja o cansaço.

Como você vê a situação do Brasil de Pelotas? O que você pode ajudar, com a sua experiência?
Não tem muito o que fazer, não é culpa de ninguém. O pessoal tenta, luta, mas não é mágico. Os outros times estão treinando desde novembro, e o nosso se conheceu há um mês. O time só não cai se Deus quiser que não caia.

A equipe teve de enfrentar uma maratona de jogos…

O que aconteceu em 15 dias foi desumano. O Grêmio reclamou que não foi campeão (do primeiro turno) porque fez três jogos em sete dias, todos em casa. O Brasil fez oito jogos, um longe do outro, e muitos com campo pesado por causa da chuva.

Como foram as viagens de ônibus durante esses 15 dias?
Eu olhava para os jogadores e via todos com cara de zumbi. É impossível pregar o olho um minuto sequer. É impossível para qualquer ser humano dormir depois do que a gente passou, por maior que seja o cansaço. Não consigo nem descrever o que passa na mente. E, quando acaba a viagem, a sua cabeça está estourando de estresse.

O cansaço das viagens se refletiu em campo, com os maus resultados.
Fiz um levantamento e vi que bati de 18 a 20 tiros de meta por partida. Somam-se aí as defesas e os gols levados. Isso dá 25 ou 26 chances de gol para o adversário. É uma finalização a cada quatro minutos. E 15% foram convertidas, o que é pouco no futebol. Estou me recuperando de uma lesão no músculo do chute, de tanto bater tiro de meta.

É a situação mais complicada na sua carreira?
Com certeza. Existe uma diferença de se jogar no Grêmio ou no Fluminense, clubes que eu defendi. Havia dinheiro e era possível contratar. A situação é bem diferente. Aqui no Brasil, era preciso contratar jogadores, mas um clube pequeno tem dificuldades financeiras. E todos aqueles que disseram que iam ajudar não fizeram nada. Mandaram jogadores que não atuam nem pelos juniores do clube deles. Como é que vão nos ajudar, sabendo da torcida que o Brasil de Pelotas tem? O clube é pequeno, mas a pressão é grande. Não tem como aguentar.

Como se explica a briga no jogo contra o Canoas? Cláudio Duarte (então técnico do Brasil) acha que os jogadores seguraram a barra por muito tempo e que em algum momento iam explodir.
Concordo com ele. E não é só em função do acidente, é estresse de tudo. E o atacante adversário ainda teve aquela atitude extremamente infeliz… Mas, nesse último jogo, não tínhamos força para nada. Os jogadores mal conseguiam andar em campo. E quem estava no acidente sentiu mais a situação. Não tem jeito, tem que encarar. E acho que esse grupo encarou até bem. Quem conhece mais o futebol, tem experiência, sabia que seria essa loucura. Mas não dá para falar isso para os mais jovens. Ia ser pior.

 

Crédito: Globo

 

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