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Cumpri a minha missão, destaca Aécio Neves após derrota

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Na terra onde nasceu, o candidato Aécio Neves (PSDB) viu ser adiado o sonho de se tornar presidente do Brasil e de repetir os passos do avô, Tancredo Neves. Às 21h10min deste domingo, em Belo Horizonte (MG), ele reconheceu a derrota para a adversária Dilma Rousseff (PT), com quem disputou uma das mais acirradas, agressivas e controversas campanhas das últimas décadas.

A aposta no discurso da mudança não foi suficiente para quebrar o ciclo de 12 anos de hegemonia do PT no poder, mas Aécio saiu vivo da briga. Terminou com 3,4 milhões de votos a menos do que a oponente — uma diferença de cerca de 6%, perdendo em Minas, mas com reais possibilidades de voltar em 2018.

A confiança na vitória era tanta que um palco com telão chegou a ser montado no centro da capital mineira. Até o último minuto, assessores de Aécio demonstraram otimismo. O resultado teve o efeito de uma pancada. No Hotel Dayrell, onde ele faria o pronunciamento oficial, o silêncio tomou da equipe assim que vieram à tona os primeiros números da apuração.

Com o semblante sério, Aécio chegou ao local acompanhado da mulher, Letícia Wever, do vice, Aloysio Nunes, de José Serra, senador eleito de São Paulo, e de outros líderes do PSDB. Também foi prestigiado por amigos, como o apresentador de TV Luciano Huck.

Aplaudido, falou por menos de cinco minutos. Não respondeu a perguntas da imprensa. Começou agradecendo os 50 milhões de votos recebidos.

— As cenas que vivi ao longo desses últimos meses jamais sairão da minha mente e do meu coração — afirmou.

Em seguida, disse ter cumprimentado Dilma por telefone, desejando sucesso no novo governo. Classificou como prioridade a união do Brasil “em torno de um projeto honrado e que dignifique todos os brasileiros”.
Depois concluiu:

— Mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca, eu deixo essa campanha, com o sentimento de que cumprimos nosso papel.

Tucano foi ao segundo turno após queda nas pesquisas

Desde o início, a candidatura de Aécio foi marcada por altos e baixos. Ganhou força em 2010, quando o fracasso de Serra nas eleições presidenciais fez com que o nome do ex-governador de Minas crescesse no partido. Em 2013, ele foi alçado à condição de presidente nacional da sigla e passou a costurar os apoios necessários para entrar na briga pelo Palácio do Planalto. Recebeu a aprovação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do próprio Serra. Apresentou-se como adversário natural de Dilma, surfando no antipetismo.

Até agosto, a reedição da polarização entre PT e PSDB, reprisada desde 1994, era dada como certa. Tudo mudou a menos de dois meses do pleito. Com a morte de Eduardo Campos (PSB) em um acidente aéreo, Marina Silva (PSB) assumiu o vácuo deixado pelo ex-governador de Pernambuco e provocou um tsunami na cena eleitoral.

Beneficiada pela comoção, a ambientalista protagonizou um salto nos índices de intenção de voto. Em setembro, chegou a aparecer 20 pontos à frente ao Aécio, que caiu vertiginosamente nas pesquisas. A terceira via parecia ganhar força. Foi o primeiro baque da candidatura mineira.

Aliados do ex-senador chegaram a sinalizar apoio a Marina. Na campanha tucana, a frustração e o clima de derrota se tornaram visíveis. Aécio teve de convocar uma entrevista coletiva às pressas para desmentir o boato de que desistiria da disputa. Prometeu “lutar até o último instante”. E foi o que fez.

A dúvida sobre quem disputaria o segundo turno com Dilma persistiu até a apuração dos votos, no dia 5 de outubro. Alvo de ataques do PT e de críticas do PSDB, Marina perdeu a batalha. Acabou em terceiro lugar, com 21,32% dos votos válidos, contra 33,55% de Aécio e 41,59% de Dilma.

A partir dali, começou uma nova eleição. Nas primeiras sondagens do segundo turno, Dilma e Aécio apareceram em situação de empate técnico, amplificando as esperanças do PSDB. Depois, Datafolha e Ibope indicaram o avanço da petista. Aécio ensaiou uma reação. Obteve o apoio de Marina e da família de Campos. Não foi suficiente.

Na manhã de domingo, depois de votar, citou uma frase que disse carregar consigo: “Combati o bom combate e jamais perdi a fé.” À noite, repetiu a máxima. Pelo tom do discurso, tudo indica que, daqui a quatro anos, o neto de Tancredo, morto em 1985 antes de tomar posse da Presidência, deve entrar na guerra outra vez.

 

Crédito: ClicRBS

 

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