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Como a operação Lava-Jato pode afetar a economia o Rio Grande do Sul

 Como a operação Lava-Jato pode afetar a economia o Rio Grande do Sul
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A prisão de figurões de grandes companhias de engenharia com operações no Rio Grande do Sul para atender encomendas da Petrobras semeou a apreensão de que o escândalo de corrupção respingue na indústria naval do Estado.

O receio de empresários gaúchos do setor de óleo e gás é que o caso se reflita em atrasos de obras e projetos, retenção de pagamentos, ameaça à política de conteúdo nacional e até que signifique que a unidade da Iesa em Charqueadas vai à pique de vez.

— Algumas obras meio que vão parar porque todo mundo vai tirar o pé, ficar espiado. A torneirinha vai dar uma fechada porque estava aberta demais. Era uma orgia. Mas este é um momento de correção. Até a poeira baixar vai haver uma estagnada — diz um empresário que é fornecedor de grupos envolvidos na Operação Lava-Jato.

Admitindo grande preocupação, outro empresário do Estado com certo trânsito na Petrobras e que presta serviços à companhias envolvidas no episódio de ontem revela que o clima já era de cautela na estatal:

— Está todo mundo pisando em ovos na hora de assinar um cheque. Aditivos só são pagos depois de ser comprovado que não há nenhum problema — conta.

Com a Petrobras e as empreiteiras travadas, a expectativa é que os demais elos do segmento também sintam a retração, com ameaça aos empregos. Como a Petrobras tem pressa para ter as plataformas prontas para aumentar a extração de petróleo, a tendência seria de deixar um pouco de lado a política de conteúdo nacional e enviar uma cota maior de encomendas para o Exterior.

Dione de Oliveira, vice-presidente da RS Óleo & Gás, entidade que reúne empresas fornecedores do setor no Estado, também espera percalços nos negócios. Ele lembra que, além da Iesa, outras grandes companhias que operam no polo de Rio Grande atrasaram pagamentos a fornecedores no início do ano. Agora, a tendência é de mais retração.

— Com essas notícias de hoje (ontem), os empresários vão ficar ainda mais receosos e com o pé no freio — avalia Oliveira.

Procurado, o secretário estadual de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Mauro Knijnik, preferiu não se manifestar sobre os possíveis reflexos do caso na indústria naval gaúcha.

Impacto será diferente em cada cidade

Apesar do temor dos reflexos nos polos navais do Estado, as consequências devem ser diferentes em cada um das cidades gaúchas. Em Charqueadas, onde a Iesa já estava paralisada, a avaliação é que a prisão de altos executivos seja apenas a pá de cal. E mais indícios surgiram ontem.

— Até agora apenas os funcionários da fábrica estavam em férias coletivas, mas hoje (ontem) dispensaram o pessoal do administrativo também — relata Jorge Luis Silveira de Carvalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos (Sindimetal) de Charqueadas.

Em Rio Grande e São José do Norte, a percepção é que possam ocorrer atrasos em projetos e pagamentos, mas sem ameaça à continuidade dos projetos. Em São José do Norte, o estaleiro EBR, da Toyo Setal, já começou a montar alguns módulos da plataforma P-74 e o casco deve chegar à cidade no início de 2015. Quando estiver a pleno, a unidade deve gerar 3 mil empregos diretos.

— Qualquer retrocesso nos preocuparia — diz o vice-prefeito Francisco Xavier (PSDB).

Onde estão os negócios

Charqueadas

— Com problemas financeiros que paralisaram a unidade no município, a Iesa Óleo e Gás teve decretada a prisão do presidente, Valdir Lima Carreiro, e do diretor de operações, Otto Garrido Sparenberg.

Rio Grande

— A Queiroz Galvão, uma das donas do estaleiro QGI, teve mandados de prisão para o presidente Idelfonso Colares Filho, e Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor da Vital Engenharia, pertencente ao grupo

— Na Engevix, que opera o Estaleiro Rio Grande, os atingidos foram do vice-presidente Gerson Almada, e os diretores Carlos Eduardo Strauch Albero e Newton Prado Junior

São José do Norte

— Na Toyo Setal, dona do estaleiro EBR, ninguém foi preso, mas um de seus principais executivos, Julio Camargo, fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal

Prisão preventiva

– Eduardo Hermelino Leite, diretor vice-presidente da Camargo Corrêa S.A.
– José Ricardo Nogueira Breghiroll, funcionário da Construtora OAS
– Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor-presidente da Área Internacional da Construtora OAS S.A
– Sérgio Cunha Mendes, diretor vice-presidente executivo da Mendes Júnior Trading Engenharia S/A
– Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia S.A.
– Erton Medeiros Fonseca; diretor-presidente da Divisão de Engenharia Industrial da Galvão Engenharia S.A.

Mandado de prisão temporária (5 dias)

– João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A.
– Mateus Coutinho de Sá Oliveira, funcionário da OAS
– Alexandre Portel Barbosa, advogado da OAS
– Ednaldo Alves da Silva, funcionário da UTC Participações S.A
– Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor técnico da Engevix Engenharia S.A.
– Newton Prado Júnior, diretor técnico da Engevix Engenharia S.A.
– Dalton dos Santos Avancini, diretor-presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações S.A.
– Otto Garrido Sparenberg, diretor de Operações da IESA Óleo & Gás S.A.
– Valdir Lima Carreiro, diretor-presidente da IESA Óleo & Gás S.A.
– Jayme Alves de Oliveira Filho, ligado a Alberto Youssef
– Adarico Negromonte Filho, ligado a Alberto Youssef
– José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS
– Ricardo Ribeiro Pessoa, UTC Participações S.A.
– Walmir Pinheiro Santana, UTC Participações S.A.
– Carlos Alberto da Costa Silva, ligado a empreiteiras
– Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor-geral de Desenvolvimento Comercial da Vital Engenharia, Grupo Queiroz Galvão;
– Ildefonso Colares Filho, diretor-presidente da Construtora Queiroz Galvão S.A
– Renato de Souza Duque, ex-diretor da Petrobras
– Fernando Antônio Falcão Soares, citado nas investigações como agente do PMDB no esquema criminoso.

 

Crédito: ClicRBS

 

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