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Com exposição nas redes sociais, torcedora vira símbolo da cultura racista nos estádios

 Com exposição nas redes sociais, torcedora vira símbolo da cultura racista nos estádios
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Uma jovem de 23 anos, auxiliar de um centro odontológico na Capital, saiu do anonimato de uma hora para outra. Ainda que não tenha sido a única a gritar xingamentos racistas ao goleiro Aranha, do Santos, na derrota do Grêmio na Arena na última quinta-feira, Patrícia Moreira da Silva tornou-se o rosto do preconceito.

Mesmo acompanhada por outros torcedores na atitude, até agora, apenas a jovem perdeu o emprego, sumiu das redes sociais, não atende ao celular e não foi mais vista por vizinhos e amigos.

Patrícia foi parar em jornais, sites e redes de televisão do país inteiro – e até de fora do Brasil. Milhares de comentários em redes sociais (muitos deles ofensivos) criticaram a atitude da jovem. O linchamento virtual culminou na exclusão dos perfis pessoais dela no Facebook e no Instagram. O que Patrícia fez na Arena configura crime de injúria racial e deve ser investigado pelo Ministério Público.

— Vítima ela não é, ela é culpada. Mas um crime não elimina o outro. Ela errou e deve ser punida, mas isso não justifica os insultos (que ela recebeu). Não é por aí que vamos resolver as coisas — defende Mauricio Corrêa da Veiga, pós-graduado em Direito e presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB-DF.

Autor do livro A evolução do futebol e das normas que o regulamentam — Aspectos trabalhista-desportivos, Veiga acredita que a punição tem caráter pedagógico e evita a repetição:

— Por mais que não tenha antecedentes (criminais) e possa ter sido movida pelo que os outros estavam fazendo, ela cometeu um crime. Se não for punida, outros vão achar que podem fazer igual — disse.

A doutora em Psicologia Raquel da Silva Silveira, professora e integrante do Centro de Referência em Direitos Humanos da UFRGS, considera positiva a repercussão e é enfática:

— Não acho que esteja havendo uma vitimização dela (nas redes sociais), mas uma responsabilização. Vítima é o negro que foi chamado de macaco. Ela está sendo responsabilizada publicamente pelo ato errado, o que é bom, porque significa que as pessoas estão desaprovando essa prática — aponta Raquel.

Sobre o fato de a auxiliar em odontologia ter sido descoberta e “denunciada” pelos internautas, André Fagundes Pase, professor de Comunicação Digital da PUCRS, acredita que seja uma característica do comportamento virtual atual.

— Apontar e caçar o culpado, seja nesse caso da torcedora ou como no Caso Bernardo, não resolve o problema. Uma campanha nas redes não vai acabar com o racismo. Precisamos achar formas de discutir mais a fundo esse problema — propõe Pase.

Roberto Romano, professor de Política e de Ética da Unicamp, acredita que Patrícia deveria vir a público para pedir desculpas e “desarmar os ataques virtuais”.

— Não que ela mereça ser desculpada. Ela tem de pagar por ter diminuído outro ser humano. Mas as pessoas que a insultam estão sendo tão selvagens quanto ela — afirmou Romano.

Para o especialista, a ética é algo que se aprende e que passa a ser automático, o que signfica que Patrícia pode ter reproduzido uma ação, “mesmo sem perceber”, mas que isso não elimina o erro.

 

Crédito: ClicRBS

 

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