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Cinebiografia de Cássia Eller traça o perfil de uma vida intensa

 Cinebiografia de Cássia Eller traça o perfil de uma vida intensa
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Nando Reis, Zélia Duncan e Lan Lan dão depoimentos emocionados e emocionantes em Cássia Eller. A companheira de muitos anos, Maria Eugênia, ajuda a traçar o perfil íntimo de uma vida que foi intensa. A própria Cássia chega a dizer que a música foi uma fuga da sua incapacidade de se relacionar socialmente. 

Talvez Cássia, o filme, não seja tão bom quanto Loki, outro documentário musical do diretor Paulo Fontenelle (sobre Arnaldo Antunes). Mas é melhor que Dossiê Jango, do mesmo Fontenelle, sobre o ex-presidente do Brasil, derrubado pelo golpe militar. Fontenelle conta que, logo após Loki, ouvindo Cássia Eller cantar, pensou quão pouco sabia sobre a artista. A curiosidade levou-o a pesquisar. Descobriu uma figura ‘incrível’, como diz. “A Cássia era aquela força no palco, mas era muito tímida. Essa dualidade começou a me fascinar. A primeira coisa que fiz foi mandar um e-mail para a Eugênia, falando na possibilidade de um filme. Ela demorou um mês para responder, já achava que não ia rolar. Disse que o Chicão (filho da Cássia) tinha gostado de Loki. E me deu carta branca. Disse apenas que não queria que eu endeusasse nem demonizasse a Cássia. Liberou para abordar tudo. As drogas, os casos fora da relação. Foi uma coisa muito forte.” 

O diretor ainda trabalhava em Dossiê Jango quando iniciou a pesquisa iconográfica. Ambos os filmes demoraram quatro anos para ficar prontos. O filme estreia nesta quinta-feira, 29, com 70 cópias. Esgotada a fase do cinema, deve ir para o DVD e a TV. Fontenelle conta: “Não existe nenhuma previsão de lançar a trilha do filme, mas o Chicão descobriu gravações inéditas da mãe e, daqui a pouco, quase junto com o filme, essa Cássia inédita, da fase de Brasília, chegará a público em DVD.” Foram muitas as possibilidades de abordagem imaginadas por Fontenelle antes de começar a filmar, logo após o lançamento de Loki. No seu imaginário, chegou a haver uma versão em que o espectador descobriria Cássia pelo olhar do filho. 

Chicão seria o protagonista, em busca da mãe, que morreu quando ele era bebê – e o fato causou aquele imbróglio judicial, a briga na Justiça pela guarda do filho. O avô, pai de Cássia, brigava pelo neto ou pelo espólio? A questão perpassa toda uma parte de Cássia, não deixando de ser o elo com Dossiê Jango, da mesma forma que a intenção de lançar luzes sobre o artista (e o homem, no caso, a mulher) é o vínculo com Loki.

“Desisti de fazer o filme pelo olhar do Chicão porque ele é tímido. Percebi que não daria conta. Mas ele aparece bem no final. Cássia foi um furacão no palco. Não carregava bandeiras. A bandeira era ela, com seu comportamento libertário e provocador. O mais marcante é que essa mulher, pós-mortem, continuou influenciando a sociedade brasileira. Aquele juiz, ao dar a guarda do filho para a companheira de Cássia, fez o que ela gostaria. Uma verdadeira revolução legal.” 

Durante quatro meses, Fontenelle brigou com o material. Ele tinha 400 horas entre arquivo e gravações próprias. Como reduzir tudo isso para (menos de) 2 horas? “Tenho entrevistas muito boas com Milton Nascimento, Frejat e Luiz Melodia. Achei que serviria melhor ao material se contasse a história convencionalmente.” Convencional talvez não seja a melhor definição. Linearmente. Do começo em Brasília ao teatro com Oswaldo Montenegro, o filme mapeia a formação e o estouro de Cássia. Mostra sua força no palco, a morte.

Cássia foi usuária de drogas. Até por conta disso, a mídia sensacionalizou sua morte, em 2001. Teria sido por overdose. A versão ficou. O filme esclarece que foi enfarte. São muitas histórias, muitas parcerias (na arte como na vida). Entre os muitos momentos intensos da cantora está aquele em que mãe e filho recebem um prêmio póstumo atribuído à sua obra. Cássia é um belo filme. Talvez seja um pouco redundante, insistindo em certos pontos, depoimentos. É intenso. “Tinha de ser. A Cássia era intensa”, resume Paulo Fontenelle.

 

Crédito: Correio do Povo

 

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