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Cavalo blindado reencontra Carlinhos, técnico que o ajudou a ser Imperador

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Vasculhando o celular de Carlinhos, na letra A não consta o nome de Adriano. Na agenda de telefones, o treinador que apostou e bancou o Imperador no Flamengo prefere chamar o pupilo por um apelido diferente e inédito: Cavalo Blindado.

A referência, obviamente, remete à força física do camisa 10 rubro-negro. Mas nem sempre ele teve tal moral no Rubro-Negro. Em 1999, quando Carlinhos chegou ao time juvenil, o centroavante tinha o destino – longe da Gávea – traçado.

– Carlinhos significou tudo. Eu ia ser mandado embora. Ele foi o cara que me descobriu ali na frente. Até então era lateral-esquerdo. Depois fui campeão do Mundial sub-17. Sempre agradeci por tudo que ele me fez. Se estou aqui é por causa dele e da minha família – declarou o jogador.

Na última quarta-feira, a convite do GLOBOESPORTE.COM, Carlinhos foi à Gávea pela primeira vez desde o retorno de Adriano. Assistiu ao treino aflito. Estava ansioso para rever o “Cavalo”, como sempre chama o pupilo.

Aos 53 anos, passou quatro deles dirigindo o juvenil do Flamengo. Atualmente, trabalha com Waldemar Lemos, mas aguarda uma chance em um time profissional.

– Depois de muito tempo com os meninos, acho que posso pensar em dirigir uma equipe de cima – declarou.

O Imperador concorda. Após o treinamento, o sorriso ao rever o técnico tomou conta do rosto dele. E ao ouvir os elogios de Carlinhos, que o considera um “garoto doce e amigo de todos”, o jogador desabafou:

– As pessoas que me conhecem sabem quem eu sou. Totalmente do grupo. Não importa quem é o maior, nem o menor. Isso me ajuda muito. Se você perguntar a aqueles que jogaram comigo, todos vão responder da mesma forma que o professor Carlinhos falou. Tento continuar nessa caminhada porque na vida tenho que aprender com todo mundo.

Confira os causos de Adriano contados por Carlinhos:

O início
“Cheguei ao Flamengo e o Adriano estava na lista de dispensa do antigo treinador. Ele foi liberado. Mas quando assumi, já o conhecia do futsal porque jogava com meu filho (o volante Carlinhos, que defendeu o Rubro-Negro no fim da década de 90) e pedi para o observá-lo um pouco mais. Fui contra tudo e contra todos e banquei o menino. Deu no que deu”.

A troca da lateral para o ataque
“Foi na altura. Nós tínhamos uns pontas de lança muito pequenos. E eu gostava de jogadores que têm pegada na frente. Mentalizei que ele estava sentado em cima de um baú e poderia ser um grande atacante. Mas só deu certo porque ele acreditou no trabalho. Jogador tem que se aplicar”.

Indisciplina? Jamais…
“Ele nunca precisou de comando forte. Sempre foi obediente e doce. Amigo de todos e dava exemplo. Nem sei se devo acreditar nessas histórias que saem na imprensa. Mas logicamente que, como ele ganhou muito dinheiro e fama, as menininhas andam em cima. E como Adriano é sujeito homem…”

Cavalo blindado
“Botei apelido de cavalo blindado, pelo tamanho. Hoje é um jogador de 27 anos, jovem e ainda tem muito a dar ao futebol. Tirando o Ronaldo Fenômeno, ele é o maior do mundo. Trata-se de um jogador amigo do treinador. Ele está preparado para atacar e defender”.

A farra da pizza bancada pelo Imperador
“Em 2000, ele estava no banco dos profissionais e perguntaram se eu o queria para a final do Campeonato Brasileiro juvenil. Apesar de o meu time estar ganhando todas, como o jogador era meu amigo, sabia que poderia me ajudar. Mas não comuniquei nada ao grupo. À noite, vi que os garotos o receberam com os olhos brilhando e tive a certeza de que seria campeão. No meio da madrugada, o Adriano bateu no meu quarto com dez pizzas e refrigerantes que ele havia comprado para todo mundo. Ficamos até 5h comendo e conversando. E tínhamos jogo no dia seguinte! E não deu outra: ele fez o golaço do título. A jogada foi muito semelhante àquela do gol contra o Coritiba (no último domingo)”.

Do juvenil para os profissionais em 30 minutos
“O (Paulo César) Carpegiani, técnico dos profissionais, não gostava de treinar com os juniores porque dava muita briga. Queria sempre o time juvenil. No ônibus, quando estávamos indo para a Gávea, falei para o Adriano: não deixa o Ronaldão e o Júnior Baiano saírem jogando pela altura, atropela os caras que é a sua chance. Foi 2 a 0. Ele fez os dois gols em 30 minutos e nunca mais voltou a treinar nos juvenis. E aí surgiu o Imperador, que pouco tempo depois foi convocado por Emerson Leão para a seleção”.

Fora de campo
“Ele é o mesmo moleque até hoje, com um coração muito bom. As pessoas julgam o ser humano pela fama dele. Mas deveriam conhecer mais de perto. O Adriano é amigo de todo mundo. Às vezes, a imprensa pega um pouco pesado. Se conhecessem a índole deste menino, veriam que não é nada disso. É um cara de família cristã, muito correta. Sempre tratou a todos muito bem”.

Confusão com o Carlinhos Violino
“Muita gente erradamente diz que o Carlinhos (Violino, ex-jogador e técnico do Flamengo) foi quem revelou o Adriano. Mas o Carlinhos sou eu. A história dele foi comigo. Mas a minha porcentagem é mínima. O Adriano que mentalizou e colocou em prática”.

Passaporte para a África do Sul no talento e na lealdade
“Dunga vai querer um jogador vencedor como ele na Copa do Mundo. Não acredito que vá abrir mão disso. Se o treinador pedir para o Adriano dar uma pancada em alguém, ele vai fazer porque é um cara amigo do comando, um cara que todo mundo gosta de conviver”.

 

Crédito: Globo

 

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