• TEL: (54) 3231.7800 | 3231.2828 (PEDIDOS DE MÚSICAS)

Carro elétrico dá oportunidade a “sonhadores” da indústria

Digiqole ad

O advento do carro elétrico moderno deu espaço para a ascensão de uma classe de empreendedores ávida por confrontar as maiores montadoras do mundo. Apesar de planos semelhantes terem fracassado repetidas vezes ao longo dos anos – Kaiser, Tucker e DeLorean vêm rapidamente à mente -, os sonhadores por trás de companhias como Tesla, Fisker, Aptera e outras iniciantes não se intimidaram. Como seus predecessores, eles acreditam que podem ter sucesso oferecendo os carros do futuro.

Eles poderiam, entretanto, observar a lição do Davis Divan, outro carro do futuro. O Davis foi um dos carros mais excêntricos da história americana, ao lado de novidades como o Stout Scarab e o minúsculo Crosley. Já se passaram 60 anos desde que sua onda de celebridade subiu e se quebrou logo a seguir; e o Museu Automotivo Petersen, em Los Angeles, dá destaque ao exemplo da marca.

“O carro do amanhã do passado”, nos termos de Leslie Kendall, curador do museu Petersen, o Divan foi um carro arredondado de três rodas que apareceu em 1949 na capa do Parade, um popular suplemento do jornal Sunda. Com o corpo aerodinâmico, faróis escondidos e lataria cromada, o Davis Divan parecia o carrinho bate-bate de um parque de diversões (ou um aspirador de pó da época, sem a haste). O Davis do museu, um sobrevivente da quase uma dúzia produzida, é azul e tem capota removível.

Glenn Gordon Davis, conhecido como Gary, era um empreendedor que, como seus contemporâneos Henry Kaiser e Preston Tucker, procurou ser pioneiro com um conceito diferente de desenho automotivo ao criar sua companhia de automóveis.

“Era um mercado de vendedores e todos os que um dia quiseram entrar no mercado automotivo fizeram sua tentativa”, disse Kendall sobre aquele período pós-guerra. “Davis foi tão longe quanto Tucker.”

Mas, não foi por falta de tentar. Davis era um ávido e incansável vendedor de carros usados quando teve a inspiração. Após a guerra, ele adquiriu um carro de três rodas peculiar que havia sido construído para Joel Thorne, o herdeiro milionário de uma fortuna do banco Chase e ardoroso piloto de corridas.

O carro era obra de Frank Kurtis, um reconhecido engenheiro que também construiu os carros de corrida Kurtis-Kraft para as 500 Milhas de Indianápolis. O carro que Davis comprou era chamado de Californian, a partir do qual concebeu uma versão para produção em série.

Em 1946, ele já recebia depósitos de deslumbradas futuras concessionárias, levantando mais de US$ 1 milhão para construir seu carro dos sonhos. Mas, ele acabou se revelando mais um vendedor do que um engenheiro.

Seus talentos persuasivos estão expostos em um pôster pendurado atrás do Divan do museu Petersen: “Davis está anos adiante! … Nunca houve um carro como esse … Nunca um carro foi tão baixo, rápido, reluzente e seguro … Nunca um carro teve tanta agilidade felina no trânsito!”

“Não, NUNCA houve um carro como esse!”

Os motores do Divan vinham de fabricantes independentes, Hercules e Continental. Os modelos sobreviventes em geral possuem motores mais recentes e melhorados.

Davis alardeou a facilidade de se estacionar um carro de três rodas. Com uma capota cujo objetivo é eliminar pontos cegos, o carro podia fazer curvas acentuadas. Em certa ocasião, Davis alegou que o carro era capaz de fazer uma reversão a 88,5 km/h. Segundo seu criador, ele fazia 22 km por litro.

Davis alegou ter aproveitado tecnologia e métodos de produção da aviação para construir um carro melhor. “Seu corpo de alumínio se une ao fluxo do movimento para diminuir a resistência do ar ao mínimo”, declarava a brochura de Davis, “conseguindo a verdadeira beleza de contorno”. Que frase maravilhosa, “beleza de contorno”.

Ele disse que o carro tinha um baixo centro de gravidade e era de ótima condução, “graças a amortecedores do tipo usado em aeronaves”. Mas a coisa mais próxima a um avião no Davis era sua linha de montagem, um hangar aeronáutico em Van Nuys, Califórnia.

O sonho do Davis remete a uma época mais romântica, quando homens fundavam companhias de automóveis, ao invés de salvá-las, e marqueteiros podiam contar com pessoas que consideravam o divã um móvel romântico. Um anúncio do Divan proclamava: “Disseram ‘impossível!’ – então, Davis fez!”

Fãs do Davis pareciam se basear em determinação similar. Em 1967, um deles, Tom Wilson, de Ypsilanti, Michigan, resgatou um Davis abandonado e o restaurou. Perguntando-se quantos mais teriam sobrevivido, Wilson fundou em 1993 o Registro Davis e rastreou os sobreviventes ao longo dos anos.

O Davis de Wilson está agora na coleção do Museu Lane Motor, em Nashville, Tennessee. Graças a Wilson e outros crédulos, os excêntricos Davis estão sendo novamente apreciados.

Um Davis apareceu na tira de quadrinhos “Zippy the Pinhead”. Outro Davis apareceu ano passado, em um episódio da série do Discovery Channel “Chasing Classic Cars” (perseguindo carros clássicos, em tradução livre).

Embora o material promocional tenha prometido agilidade felina no tráfego, Kendall, o curador, menciona uma característica diferente na edição de outono de 2008 da publicação trimestral do museu Petersen. “Dirigir o Davis é uma experiência memorável não por causa de seu desempenho e manuseio, que são pavorosos, mas por sua capacidade de atrair a atenção de motoristas”, escreveu ele.

O Davis operava em um mundo de fantasias de Hollywood. O divã literal do Davis Divan era um assento único semelhante a um sofá. Davis, vestido com elegância nas fotos, gostava de colocar um quarteto de graciosas aspirantes a estrela naquele assento, com a legenda: “Quatro Estrelas do Amanhã no Carro do Amanhã”.

A aparição do carro no Parade aumentou o interesse pelo Davis, mas a companhia já cambaleava. Concessionárias que haviam comprado franquias pressionavam por carros e operários da linha de montagem entravam na justiça por salários atrasados. O procurador distrital em Los Angeles investigou e iniciou ações contra Davis. De acordo com o registro da marca, Davis foi condenado por fraude e acabou sentenciado a dois anos de prisão.

Ele nunca parou de pensar em carros como o Divan. Antes de morrer em 1973, Davis falava de um “carro de segurança” de três rodas envolvido em um pára-choque. Após sair da prisão, foi para o outro extremo do negócio automotivo, o lado do show business em que sempre teve excelência: ele ajudou a desenvolver os carros de bate-bate dos parques de diversões, que, naturalmente, parecem miniaturas do Davis Divan.

“Isso é uma metáfora para Los Angeles”, disse Kendall.

 

Crédito: Terra

 

Digiqole ad

Relacionados

Open chat