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Campanha no Rio Grande do Sul é a mais barata entre 8 Estados e o Distrito Federal

 Campanha no Rio Grande do Sul é a mais barata entre 8 Estados e o Distrito Federal
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Na comparação com os candidatos aos governos de sete Estados mais populosos, e do Distrito Federal, os concorrentes ao Piratini fazem a campanha mais barata. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia, além do próprio DF, ao menos um candidato a governador gastou sozinho mais do que a soma das despesas dos quatro principais nomes da disputa no Rio Grande do Sul.

Conforme os dados da segunda parcial da prestação de contas de campanha ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ana Amélia Lemos (PP), Tarso Genro (PT), José Ivo Sartori (PMDB) e Vieira da Cunha (PDT) registraram até agora despesas de R$ 6,6 milhões. No momento, a campanha a governador mais cara do país é a de Alexandre Padilha (PT), em São Paulo, com R$ 35 milhões, valor quase seis vezes superior ao total gasto pelos quatro concorrentes ao governo gaúcho. E o candidato amarga um terceiro lugar. O cenário se repete mesmo em locais de menor expressão populacional e econômica. É o caso do Distrito Federal, onde três candidatos já investiram R$ 15,1 milhões. Agnelo Queiroz (PT), aspirante à reeleição, aportou R$ 7,5 milhões, valor também maior do que o somatório do quarteto gaúcho. Há outro dado que chama a atenção: apenas no Paraná os candidatos a governador não gastaram pelo menos o dobro em comparação com o Rio Grande do Sul.

O barateamento das campanhas gaúchas é atribuído a fatores diversos. Entre os políticos, a avaliação é que os empresários se recolheram. Alegam que a crise retirou ou diminuiu a capacidade de financiamento. E, diante dos rígidos controle e divulgação dos doadores, afirmam que não querem se expor ou correr riscos de envolvimento em ilicitudes.

Já entre cientistas políticos e marqueteiros, surgem outras possíveis explicações para o cenário.

— No Nordeste, as campanhas costumam ser mais caras do que no Sul. Lá existe carência de pessoal para trabalhar com produção de programas de TV. Eles contratam equipes de produtoras do Sul e do Sudeste, que viajam com equipamentos e ficam trabalhando por até 90 dias. Isso encarece — avalia Paulo Moura, coordenador do curso de Ciências Sociais da Ulbra.

Outro recorte indica que o Rio Grande do Sul convive com número mais limitado de casos de corrupção, o que diminui o uso da máquina pública nas eleições.

— As campanhas gaúchas costumam ser mais modestas do que as do centro do país. As eleições refletem centros economicamente mais pujantes, que acabam produzindo campanhas mais caras — afirma o consultor de marketing eleitoral Juliano Corbellini.

São Paulo

Gastos, em R$ milhões
Alexandre Padilha (PT): 35
Geraldo Alckmin (PSDB): 13,8
Paulo Skaf (PMDB): 10,4
Total: 59,2

Posição na pesquisa mais recente (Datafolha, pesquisa nos dias 8 e 9 de setembro)
Geraldo Alckmin (PSDB): 49%
Paulo Skaf (PMDB): 22%
Alexandre Padilha (PT): 9%
Outros: 20%

Rio de Janeiro

Gastos, em R$ milhões
Luiz Fernando Pezão (PMDB): 13,6
Lindberg Farias (PT): 4,8
Anthony Garotinho (PR): 2,6
Marcelo Crivella (PRB): 1,5
Total: 22,5

Posição na pesquisa mais recente (Datafolha, pesquisa nos dias 8 e 9 de setembro)
Luiz Fernando Pezão (PMDB): 25%
Anthony Garotinho (PR): 25%
Marcelo Crivella (PRB): 19%
Lindberg Farias (PT): 12%
Outros: 19%

Ceará

Gastos, em R$ milhões
Camilo Sobreira de Santana (PT): 11,3
Eunício Lopes de Oliveira (PMDB): 6,3
Eliane Novaes Teixeira (PSB): 0,56
Total: 18,1

Posição na pesquisa mais recente (Ibope, pesquisa entre 30 de agosto e 2 de setembro)
Eunício Lopes de Oliveira (PMDB): 42%
Camilo Sobreira de Santana (PT): 34%
Eliane Novaes Teixeira (PSB): 4%
Outros: 20%

Minas Gerais

Gastos, em R$ milhões
Pimenta da Veiga (PSDB): 11,9
Fernando Pimentel (PT): 6,1
Total: 18

Posição na pesquisa mais recente (Datafolha, pesquisa nos dias 8 e 9 de setembro)
Fernando Pimentel (PT): 34%
Pimenta da Veiga (PSDB): 23%
Outros: 43%

Pernambuco

Gastos, em R$ milhões
Paulo Câmara (PSB): 9,7
Armando Monteiro (PTB): 8,3
Total: 18

Posição na pesquisa mais recente (Datafolha, pesquisa nos dias 8 e 9 de setembro)
Paulo Câmara (PSB): 39%
Armando Monteiro (PTB): 33%
Outros: 28%

Distrito Federal

Gastos, em R$ milhões
Agnelo Queiroz (PT): 7,5
José Roberto Arruda (PR): 3,6
Rodrigo Rollemberg (PSB) : 2,8
Luiz Carlos Pietschmann (PSDB): 1,2
Total: 15,1

Posição na pesquisa mais recente (Datafolha, pesquisa nos dias 8 e 9 de setembro)
José Roberto Arruda (PR): 37%
Agnelo Queiroz (PT): 19%
Rodrigo Rollemberg (PSB): 18%
Luiz Carlos Pietschmann (PSDB): 4%
Outros: 22%

Bahia

Gastos, em R$ milhões
Rui Costa dos Santos (PT): 8,1
Paulo Souto (DEM): 4,2
Lídice da Mata e Souza (PSB): 1,7
Total: 14

Posição na pesquisa mais recente (Datafolha, pesquisa nos dias 8 e 9 de setembro)
Paulo Souto (DEM): 43%
Rui Costa dos Santos (PT): 16%
Lídice da Mata e Souza (PSB): 10%
Outros: 31%

Paraná

Gastos, em R$ milhões
Gleisi Hoffmann (PT): 6,3
Beto Richa (PSDB): 3,5
Roberto Requião (PMDB): 1,7
Total: 11,5

Posição na pesquisa mais recente (Datafolha, pesquisa nos dias 8 e 9 de setembro)
Beto Richa (PSDB): 44%
Roberto Requião (PMDB): 28%
Gleisi Hoffmann (PT): 10%
Outros: 18%

Rio Grande do Sul

Gastos, em R$ milhões
Tarso Genro (PT): 2,6
Ana Amélia Lemos (PP): 2,3
Vieira da Cunha (PDT): 1
José Ivo Sartori (PMDB): 0,78
Total: 6,6

Posição na pesquisa mais recente (Datafolha, pesquisa nos dias 8 e 9 de setembro)
Ana Amélia Lemos (PP): 37%
Tarso Genro (PT): 28%
José Ivo Sartori (PMDB): 11%
Vieira da Cunha (PDT): 2%
Outros: 22%

O perfil das equipes que buscam recursos

Pessoas próximas e de extrema confiança dos candidatos, de perfil discreto e com contatos junto ao empresariado. Esse é o perfil das equipes responsáveis por bater à porta das corporações e pedir dinheiro para as campanhas.

O time de Ana Amélia Lemos (PP) é liderado pelo prefeito de Caçapava do Sul, Otomar Vivian (PP), experiente nos bastidores. Na tarefa de arrecadar recursos, é auxiliado por Celso Bernardi e Pedro Bertolucci, presidente e ex-presidente do PP, respectivamente. Arthur Lemos, irmão de Ana Amélia e servidor licenciado do Banrisul, foi agregado para fazer auditorias, e João Batista Tavares se encarrega da contabilidade, mesma atividade que exerce no partido.

Na equipe de Tarso Genro, o tesoureiro é Tadeu Riggo, que antes atuava no gabinete do governador. Ele é auxiliado pelo ex-chefe da Casa Civil e coordenador de campanha, Carlos Pestana, conhecido pela habilidade em costurar acordos e atuar nos bastidores.

João Carlos Bona Garcia é o presidente do comitê financeiro de José Ivo Sartori (PMDB). Pretendia não exercer mais as funções de tesouraria — uma das maiores dificuldades, diz, é o “emaranhado da prestação de contas”. Contudo, por ser experiente e desfrutar da confiança de peemedebistas, Bona Garcia foi chamado para mais uma eleição. Ele é ajudado pelo ex-deputado e ex-ministro Luiz Roberto Ponte, respeitado entre o empresariado, e Miro Cavazzola, funcionário aposentado do Banrisul.

No PDT, Vieira da Cunha conta com Enilto Santos, que acumula a coordenação de campanha, sendo auxiliado pelos advogados Gabriel Faddel e José Vecchio Filho, herdeiro de José Vecchio, sindicalista histórico que esteve entre os fundadores do antigo PTB.

 

Crédito: ClicRBS

 

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