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Após morte do pai, Jair relança álbum e volta a ser criança

 Após morte do pai, Jair relança álbum e volta a ser criança
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Jair Oliveira, 39 anos, é cercado de música desde que nasceu. Filho de Jair Rodrigues – que morreu no mês passado deixando uma legião de fãs cheios de saudade -, o músico viveu com a casa cheia dos maiores nomes da MPB. Talentoso, começou desde cedo a cantar e atuar no infantil Turma do Balão Mágico (1982-1986).

Agora, cantor com 30 anos de carreira, com mais de 100 composições gravadas e mais de 30 produções musicais, ele relança um trabalho que o leva de volta diretamente ao mundo mágico das crianças, que conheceu tão bem nos anos 80. Ao lado da mulher Tânia Khallil, ele produziu o álbum Grandes Pequeninos – Volume 1, como forma de comemorar a chegada de sua primeira filha, Isabela, atualmente com 6 anos. Eles também são pais de Laura, de 3 anos, que inspirará o segundo volume da obra, já em produção.

“Eu, quando era criança, adorava me comunicar com outras crianças pela música. Hoje, eu continuo fazendo isso, mas tendo a experiência da paternidade. As meninas me trazem muita inspiração, muita energia. Voltar a ser criança para me comunicar com esse tema é demais. É mágico. Para um compositor, é um exercício espetacular voltar a ter a mentalidade infantil, deixar que a imaginação se expanda”, contou em entrevista ao Terra.

Para o relançamento do livro, escrito por Mariana Caltabiano, e o álbum, Jair e Tânia tem visitado escolas públicas. Sobre a inclusão de música na educação infantil, o filho de Jair Rodrigues opinou que, assim como matérias obrigatórias, ela também é importante na hora de formar um cidadão. “Em casa, com as minhas filhas, elas têm muita arte à disposição delas, muitas atividades esportivas. Isso faz parte. Acho que a matemática é importante e a arte também é! A gente tem mania de excluir as coisas. Se você é a favor da arte é contra o resto. Ou então é contra o pensamento lógico. Acho que o lógico e o lúdico tem que estar sempre juntos”, contou.

randes Pequeninos – Volume 1, indicado ao Grammy Latino, conta a história do bebê Isabela e como ela chegou para mudar a vida de seus pais. Com duas primeiras edições esgotadas, o álbum e o livro foram relçandos pela editora Uirapuru.

Confira a entrevista de Jair Oliveira:

Terra – Vocês estão relançando o projeto Grandes Pequeninos. Como surgiu a ideia de fazer isso em escolas públicas?
Jair Oliveira – Então, é um relançamento. Já tinha lançado esse livro/CD em 2009. Trocamos de editora e as duas outras edições esgotaram também. Começamos a trabalhar com a Uirapuru, que tem um trabalho bacana e uma preocupação grande em se aproximar das escolas, vários projetos. Além dessa ideia de juntar um livro e um CD, o projeto tem um tema que se relaciona muito bem com esse universo.

Terra – Vocês abordam o tema do nascimento no livro/CD, a alegria de receber um filho. Alguma situação surpreendente nesses encontros com as crianças nas escolas?
Jair Oliveira – A gente fez um só até agora e foi muito legal, bem bacana. Rola uma interatividade grande das crianças. Esse eventos que fazemos, eu vou em alguns e a Tânia (Khallil, mulher de Jair) vai em alguns também. A gente conversa bastante com eles, explicando qual o tema do disco. Eu canto e proponho uma interatividade. Foi bem divertido ter esse contato. É muito importante como artista, como pai. Esse trabalho só surgiu depois que minha filha nasceu e já tem outro a caminho. Falar com as crianças me deu mais inspiração de fazer mais um volume e faremos uma série animada para a TV paga. Será um conteúdo para a família toda.

Terra – Falar com crianças exige certa delicadeza. Vocês estão fazendo isso muito bem. Quais as preocupações na hora de elaborar uma linguangem acessível a elas?
Jair Oliveira – É, tem que virar a chave. Muitas vezes o negócio é voltar a ser criança. É peculiar, porque muita gente sabe e conviveu, inclusive os adultos que convivem com o meu trabalho hoje, com o meu trabalho de quando eu era criança. O Grandes Pequeninos não se relaciona tanto com o trabalho do Balão Mágico. Eu fiz com a energia de pai, inspirado nas minhas filhas. Tem esse teor infantil, mas é sobre uma outra visão, sobre um outro prisma. Se comunicar com a criança é muito interessante! Eu, quando era criança, adorava me comunicar com outras crianças pela música. Hoje, eu continuo fazendo isso, mas tendo a experiência da paternidade. As meninas me trazem muita inspiração, muita energia. Voltar a ser criança para me comunicar com esse tema é demais. É mágico. Para um compositor, é um exercício espetacular voltar a ter a mentalidade infantil, deixar que a imaginação se expanda. Tenho gosta muito. Tem me dado muitas ideias renovadoras.

Terra – Além da Tânia Khallil, que também é autora do projeto, suas filhas também estão sempre presentes, elas parecem curtir muito e ter uma relação forte com a música. Elas dão muito palpite? São muito ativas no que vocês fazem para o público infantil?
Jair Oliveira – Dão. São bem ativas! (risos) Nas opiniões, principalmente. Até porque a gente está preparando a série animada. Cada episódio vai ser baseado em algum tema das canções. Então, elas estão sempre falando que tem que fazer a música da viagem, dos brinquedos, de escovar os dentes. Vou sempre ouvindo, claro! A própria Tânia também dá muitas sugestões. Foi por sugestão da Tânia que eu gravei o CD. Quando a Isabela nasceu, eu fazia as canções mais pra gente mesmo, pra cantar pra elas. O volume 1 é sobre pais de primeira viagem. O volume dois é mais em cima das atividades que minhas filhas têm feito. Não pensava em transformar em disco, até que ela veio e falou pra mim: “você tem tanta coisa! Devia gravar!”. Gravei e a Mariana Caltabiano viu, se apaixonou pelo projeto e escreveu o livro.

Terra – O Volume 2 vai ser lançado no final do ano, certo? Como está a gravação?
Jair Oliveira – Já tenho quase tudo pronto. Já gravamos. Até o fim do ano finalizo tudo para lançar o disco. A série animada vai demorar um pouquinho mais. São mais detalhes, mais produção, é mais caro. Mas a intenção é lançar o Volume 2 este ano.

Terra – Li um texto seu falando do hábito de incluir a música como parte da educação das filhas de vocês. Com esse projeto com a Tânia, vocês querem, de alguma forma, também ajudar as pessoas a enxergarem essa educação artística mais como educação formal e menos como apenas diversão?
Jair Oliveira – Eu acho muito isso. Aquele texto explica muito isso! Acho que, aqui no Brasil, a gente dá um valor excessivo a essa coisa do vestibular. Acho importante, continua sendo a forma de você seguir nos estudos no nível superior, mas tem um outro lado na educação que é de preparar um bom cidadão. A gente acaba esquecendo os recursos. Para ser mais nessa matéria, precisa ter todas essas matérias que a gente tem que saber para prestar vestibular, mas também uma série de outras coisas também: como artes, esportes, música, que são matérias que tem função essencial também na formação da criança como cidadão. Eu, em casa com as minhas filhas, elas têm muita arte à disposição delas, muitas atividades esportivas. Isso faz parte. Acho que a matemática é importante e a arte também é! A gente tem mania de excluir as coisas. Se você é a favor da arte é contra o resto. Ou então é contra o pensamento lógico. Acho que o lógico e o lúdico tem que estar sempre juntos. O projeto não propõe isso. Não fiz com essa intenção. Não devia nem ser manchete. É só um projeto musical, um pai apaixonado por suas filhas, mas lógico que a gente tem preocupação em que isso possa incluir a arte na vida das crianças, claro!

Terra – Vi que sua filha de 6 anos fez desenhos para o seu pai. Te surpreendeu a visão delas sobre a perda?
Jair Oliveira – Achei muito emocionante, de uma sensibilidade incrível. Foi feito sem a nossa sugestão. Sem supervisão. Acho que, muitas vezes, você consegue observar os sentimentos de seus filhos através das suas expressões artísticas. Fiquei muito tocado. Ela fez do coraçãozinho dela, do jeito que ela interpretou e eu achei bonito. Achei emocionante, tanto que fiz questão de compartilhar. Me confortou muito num momento muito triste e de confusão. Ela me trouxe esse desenho e eu me senti bem, confortável.

Terra – Vocês tocaram na Virada Cultural, em São Paulo, participaram do Altas Horas e têm feito alguns shows por aí em homenagens ao Jair Rodrigues. Como está sendo para você participar de tantas homenagens ao seu pai? Pretendem fazer um show ou um tributo para ele mais para frente?
Jair Oliveira – É muito recente ainda. Muita gente tem perguntado sobre isso. É muito natural. A gente já fazia homenagens à carreira um do outro em vida. É claro que a gente tem nossas carreiras, mas estará sempre presente. A obra dele tá aí, tá registrada, quem gosta de Jair Rodrigues tem muitas opções para matar a saudade. Ele deixou muita coisa legal. Temos feito algumas coisas. Na verdade, a gente acabou cumprindo uma agenda que seria dele. Muitos shows que eram dele, com o falecimento dele, os contratantes tiveram de opção de cancelar ou fazer homenagem conosco. Fizemos. Pode ser que exista um tributo. Foi uma carreira tão grandiosa. Merece receber essa homenagem de muita gente. Tenho visto muitos artistas fazendo isso, não só a gente. E é muito bonito. A gente tem a nossa forma de fazer tributos, mesmo que seja em shows nossos. A gente já fazia isso. No meu DVD, Jair Oliveira 30, ele participou e eu abro o show cantando Disparada. A gente tava sempre lembrando do trabalho um do outro. Não tem porque não fazermos alguma coisa, mas não temos nada pensado. Mais para frente talvez. A carreira dele foi grandiosa!

 

Crédito: Terra

 

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