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Índia aprova plano de US$ 19 bi por liderança em energia solar

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O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, aprovou um plano de US$ 19 bilhões para fazer do país uma liderança global em energia solar nas próximas três décadas. O ambicioso projeto prevê uma expansão massiva da capacidade solar instalada e objetiva reduzir o preço da eletricidade gerada por energia solar, igualando-o ao custo de combustíveis fósseis até 2030.

A “missão solar” foi inicialmente discutida como parte do plano de ação para mudança climática da Índia, anunciado em junho de 2008. Segundo um documento de esboço da missão, cujas metas foram aprovadas em 3 de agosto, a capacidade de energia solar instalada seria elevada de seus atuais cinco megawatts para 20 gigawatts até 2020, para 100 gW até 2030 e 200 gW até 2050 – mais do que a capacidade nacional atual de 150 gW, proveniente do carvão, gás e usinas nucleares.

Autoridades dizem que o plano mostra que o país tem intenções sérias de combater o aquecimento global, passando à frente da conferência de mudança climática da ONU em Copenhagen, em dezembro. “Na minha opinião, a Índia deveria abraçar a energia solar meramente sob a perspectiva da segurança energética, independente do aquecimento global”, disse Jayaraman Srinivasan, cientista climático do Instituto Indiano de Ciência, em Bangalore. “Deveríamos ter perseguido esse projeto desde os anos 1950, com o mesmo vigor que mostramos por nossos programas espaciais e nucleares.”

Estrada solar
Um detalhado mapa da missão foi desenhado até 2020. Segundo o documento da missão, até lá, a energia solar estará disponível para 20 milhões de residências, havendo uma redução anual de 42 milhões de t de emissões de CO2 com tal expansão. O governo planeja criar um fundo solar com um investimento inicial de US$ 1,1 bilhão e fortalecê-lo por meio de impostos sobre combustíveis fósseis e sobre a energia gerada por eles – US$ 0,1 centavo para cada quilowatt-hora gerado.

Até 2030, o governo espera reduzir o custo da eletricidade gerada por células fotovoltaicas para cerca de US$ 10 centavos por kWh, equiparando-o ao preço da eletricidade gerada por combustíveis convencionais. O plano terá o apoio de outras políticas e medidas regulatórias. As mesmas incluem tornar obrigatório que usinas termoelétricas existentes gerem pelo menos 5% de sua capacidade utilizando energia solar e que edifícios governamentais instalem painéis fotovoltaicos.

Produtores ligados à malha elétrica poderão vender seu excesso de eletricidade solar para serviços públicos; projetos de energia solar terão 10 anos de isenção de impostos; e outros incentivos para o setor incluem a isenção de impostos de importação de matéria-prima e prioridade em empréstimos bancários.

Uma autoridade autônoma para a energia solar será criada para executar a missão, mas o centro de energia solar já existente, localizado próximo a Nova Déli, será modernizado e transformado em um “instituto de pesquisa de ponta”, que coordenará centros de pesquisa solar do país e promoverá a colaboração estrangeira. O documento da missão recomenda a introdução de cursos de energia solar aos Institutos Indianos de Tecnologia e a criação de um programa de bolsas para treinar 100 cientistas indianos por ano em instituições de nível internacional.

Transição difícil
Alguns estão céticos sobre a chance de sucesso da missão. “Ir de 5 mW para 20 gW em 11 anos parece ficção científica”, disse Manu Sharma, do Centre for Social Markets, uma organização não-governamental com sede em Nova Déli. Sharma, coordenador da campanha para a conferência de mudança climática da ONU, em Copenhagen, aponta que os dez fabricantes de painéis solares da Índia possuem juntos apenas 80 mW em capacidade de produção de painéis solares.

Mas Srinivasan acredita que a transição para a energia solar acontecerá na mesma velocidade da transição da lenha para o carvão e do carvão para o petróleo. Quanto aos custos da energia solar, “a tecnologia está rapidamente se transformando ao redor do mundo e os custos irão diminuir assim que os painéis fotovoltaicos passarem a ser produzidos em grande escala”, disse K.S. Narayanan, que trabalha em células solares de polímeros no Centro Jawaharlal Nehru para Pesquisa Científica Avançada, em Bangalore. “Vemos o crescimento gradual da eficiência de nossas células solares em nosso laboratório e, globalmente, o cenário está mudando rápido”, ele acrescenta.

Srinivasan diz que a missão solar irá facilitar as negociações da Índia em Copenhagen, tornando sua posição mais forte na resistência a um limite legalmente compulsório de emissões. Mas, ele acrescenta, como uma nação responsável, cuja economia e população estão crescendo rapidamente, a Índia não deveria cometer os “erros” do mundo desenvolvido. “A missão solar é uma proposta em que todos vencem, prometendo diminuir a poluição do ar, despesas com petróleo e contribuir para um mundo mais verde”, ele disse.

 

Crédito: Terra

 

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