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Aconteceu em Woodstock tenta recuperar importância do festival

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Na década de 1960, os Estados Unidos viviam as dores do confronto com o Vietnã e ainda à sombra da 2ª Guerra Mundial. Eis que em 1969, um festival surgiu para mudar os conceitos de uma sociedade super conservadora. No seu lema contra o preconceito, Woodstock reuniu meio milhão de hippies, dentre eles outras minorias como negros, homossexuais e judeus. Em Aconteceu em Woodstock, o diretor Ang Lee busca recriar os momentos que antecederam esse ponto marcante na história do País. Mas com dezenas de documentários, livros, fotos e vídeos sobre o homônimo festival, ficaria difícil fazer um filme em que a mítica do evento não seria, mais uma vez, estereotipada. Para não cair na armadilha, Lee fez a escolha mais fácil e nem por isso tão óbvia: colocar a responsabilidade em cima de um único personagem.

Em cartaz na Mostra Internacional de São Paulo, Aconteceu em Woodstock conta a história de Elliot Tiber (Demetri Martin), que em 1969 intermediou as negociações para sediar o festival nos arredores da pequena cidade de White Lake, no interior de Nova York. O filme é fielmente baseado no livro de mesmo nome, onde o próprio Elliot narra as dificuldades e o preconceito que enfrentou para receber o público de Woodstock.

Elliot era presidente da câmera de comércio da cidade e anualmente organizava um festival de música local. Isso até ele descobrir que a cidade vizinha, Catskills, abrigaria um evento de grande porte, com a presença de cantores importantíssimos, como Janis Joplin e Jimi Hendrix. Quando Catskills resolve expulsar os hippies do lugar, Elliot vê um terreno fértil para abrigar Woodstock em White Lake. Mas convencer os vizinhos não seria fácil. Assim, o menino usa uma autorização que tinha conseguido para um projeto anterior e resolve usá-la como permissão para abrigar a festa. A bola de neve vai se formando e o público estimado de cinco mil pessoas, logo se torna 100 mil e, em seguida, meio milhão.

A princípio, nem Elliot acredita na confusão em que se meteu. Mas um belo incentivo financeiro o convence de que ele estava certo. Assim, o hotel de sua mãe e pai, refugiados russos da 2ª Guerra Mundial, passa a ser sede dos organizadores. Aos poucos, os quartos, campos e estacionamento do estabelecimento vão se enchendo de pessoas. A piscina, antes uma tentativa de entreter os poucos hóspedes, torna-se fonte de água potável.

Mas enquanto, na linha paralela, é traçada a história do festival, de um outro lado, numa sugestiva divisão de telas que permeia toda a produção, Elliot tenta resolver seus conflitos: a relação de amor e ódio com os pais ausentes, a homossexualidade reprimida e a frustração de não ter conseguido êxito financeiro durante uma temporada em Nova York.

E é nessa tentativa de forçar a importância de Elliot para o evento que o filme se perde. Enquanto Ang Lee reproduz, de forma incrível, o clima de Woodstock, Elliot e suas amarguras vão compondo uma trama arrastada, que parece estar à beira do final sempre que ele se resolve de alguma forma.

E ainda que os arcos de história de Elliot, seu pai, Jake (Henry Goodman), e a mãe, Sonia (Imelda Staunton, ótima no papel), se concluam, à sua forma, a presença de outros personagens importantes para a trama não parecem se justificar. Falta profundidade, por exemplo, aos papeis da travesti Wilma (Liev Schreiber), que protege os hippies dos vigaristas da região, e Billy (Emile Hirsch), ex-soldado do Vietnã.

Apesar das falhas, Lee trabalha com questões importantes, como a mudança comportamental da época. Logo, fica fácil entender porque ele não usou nenhum vídeo que mostrasse os concertos históricos que se fizeram naquele palco: tiraria o real foco do roteiro.

No saldo final, Aconteceu em Woodstock faz você ter vontade de ter sido um hippie nos anos 1960. Creio que isso seja um aspecto positivo.

 

Crédito: Terra

 

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